A DOR

A DOR
A dor que dói...

VIDA

Tejo que levas as águas, correndo de par em par, lava a cidade de mágoas , leva as mágoas para o mar...

sábado, 22 de maio de 2010

AGORA EU SEI...

Agora eu sei
sei o que vai no pensamento
de quem aos outros,
não confere nenhum merecimento...

Agora eu sei
sei como se pode calcular
ao pormenor
tudo o que alguém pode nem sonhar...

Agora eu sei
sei aquilo que pode magoar
quem de boa fé
e sem pensar pode acreditar...

Agora eu sei
sei que o carcereiro
só abre a porta
para amavelmente enganar...

Agora eu sei
sei mesmo tudo
até aquilo
que jamais julgaria decifrar...

Agora eu sei
sei que neste mundo
vence o calculista
contra aquele que é cego,tendo vista !

Agora eu sei... eu sei ...eu sei...
sei tudo... mesmo tudo
levou tempo, mas sei ...
e jamais perdoarei!

domingo, 16 de maio de 2010

sábado, 15 de maio de 2010

Mar Revolto.wmv

Poema

ESTA VIDA NÃO VIVI!
Assinado por ROMASI
(Rogério Martins Simões)

Será que na vida não vive
Quem na vida já viveu?
Ou será que terá vida
Quem nesta vida sofreu?
Eu que morri e que vivo
Dentro do mundo que passou:
Nos versos que não morrerão,
Após rasgar a vida,
Irão lembrar quem chorou
E esta vida não viveu.
1971

Frank Sinatra - My Way

Começar de Novo - Simone e Ivan Lins (DVD)

Edith Piaf - Non, Je ne regrette rien

La femme est l'avenir de l'homme Jean Ferrat

Elis Regina-Fascinação

I Will Survive

Recordar Adriano Correia de Oliveira

quinta-feira, 13 de maio de 2010

14 de Maio de 2010

Será que chegou a hora?
Será que amanhã vai ser
o primeiro dia do resto da minha vida?
Será que posso ter esperança?
Será que tudo vai correr como desejo?
Será?
De sossego preciso urgentemente.
O dia vem após as trevas...
O dia é luz, energia, esperança !
A solidão assusta.?
Não,nunca estamos sós!
Temos família e amigos...
Temos esperança e coração...
Tomemos o futuro na mão !
Será tarde para começar de novo,
virar a mesa ...
e partir ?
Jamais !
Nunca é tarde...
nunca se perca a esperança...
enquanto durar a vida,
somos sempre criança!


domingo, 9 de maio de 2010

Ansiedade

Ainda não descobri
No mundo em que vivi
Sossego...serenidade
Idiota eu sou por não saber
Erguer um castelo de areia
Daqueles que a maré só derruba
Antes que sejam pedra dura...por serem,
De dor e desamor enfraquecidos
E de desencontros construídos !

Maio 2010

Raiva

Quando a raiva
é do tamanho da dor
E o ódio maior
que o puro sentimento,
lamento gritando o que ninguém ouve
mas a raiva é maior do que a dor...
mas a raiva é maior do que a dor !

A espera




Ai, se há tempo

que demore em passar

é o que medeia

entre o partir e o chegar.



E se partida é desejada

a espera se torna mais pesada
e a almejada chegada

tarda como a alvorada

A alvorada que anuncia o novo dia

o dia diferente do outro dia

o dia em que o mundo

abrirá suas portas

para receber a recém-chegada.



A recém-chegada

do nada, do tudo que quer esquecer

do tempo ,da espera, da mágoa,

da dor, do desamor

do escuro que empalidece a alma,

que rouba as cores às flores,

e amarelece as àrvores

e consome a seiva...o ser...



Ai, para quê tanto sofrer

Ai, para quê tanto esperar

Ai, para quê tanto ansiar...

todos havemos de lá chegar

tarde ou cedo haveremos de parar

pairar qual nuvem que o sol

ameaça não deixar brilhar.

Ai, sofrer até não mais parar

chorar,chorar,chorar...

sentir a corrosão cá dentro

sentir a falta de alento, sentir...

sentir que mesmo apesar da mudança

a esperança de voltar atrás ...

e desfazer o que mal nos faz

se afigura como a narrativa circular

o navegar sem o porto encontrar

nem p'lo sol, nem pl'a lua se sabendo orientar

o desespero que tarde em parar

o sofrimento que teima em latejar


Ai ! Que dor me continua a dilacerar

Ai!

Maio 9- 2010

quarta-feira, 5 de maio de 2010

POEMA AOS18 ANOS DA MINHA JOANA


28 de Agosto de 2009

Nunca deixes de sonhar…só assim terás um segredo por dia para me contar!

Foi em Agosto...

E o voo persiste
no prolongar de uma viagem
que se acalenta eterna
voos de corpo em riste
investes branda, suave, eterna.

Períodos de tons serenos
Existências de revolta
Fenómenos ingénitos
Sabemos que o tempo não volta
Fruamos juntas!

Do vento ainda sobram palavras
Não eram brilhantes, nem cartas
Nem riscos ou traços
Eram mapas de palavras
Que esperançosa semeei
Num canteiro de Laços MIke - 2006

Dedico este poema à minha adorada filha Joana, no dia em que completa 18 anos.
Que o laço que nos uniu, desde o primeiro dia da tua vida (intrauterina), minha querida filha, jamais se desfaça e se mantenha cada vez mais forte, enquanto viveres, pois eu estarei ( mesmo não estando) sempre a teu lado.

Adoro-te Joana

A mãe que tiveste e não escolheste
Maria do Rosário

Poema para mim

A Caverna

Dia de labor
Cansaço extremo
As pernas vacilam ao chegar à caverna…

Acendo o candeeiro de óleo
A luz do pequeno buraco no topo da parede já se foi
A chama vacilante torna as sombras grandes e assustadoras

Sei que a besta está perto
A qualquer altura pode entrar aqui
O meu abrigo longe do mundo

Por vezes espaço tão amplo que ecoa todos os sons
Outras claustrofóbico e ensurdecedor no silêncio
Sinto-me uma presa indefesa

Mas sei que não é verdade
Comigo vivem os que me amam
Que me seguem
Pensam em mim
Me protegem

Uma palavra
E serei resgatada
Sei que daqui saio…
Cada vez mais forte

Um dia deixarei de ser presa
E serei predadora
Encurralarei o meu carcereiro
Quem por último ri, ri melhor…


Cristina Vendeirinho – Poema para mim. – 24 de Junho de 2009

Chega de saudade

Chega de saudade
João Gilberto
Composição: Tom Jobim
Vai minha tristeza
e diz à ela
Que sem ela não pode ser
Diz-lhe numa prece que ela regresse
Porque eu não posso mais sofrerC
hega de saudade, a realidade é que sem ela
Não há paz, não há beleza, é só tristeza
E a melancolia que não sai de mim,
não sai de mim, não sai
Mas se ela voltar, se ela voltar
Que coisa linda, que coisa louca
Pois há menos peixinhos a nadar no mar
Do que os beijinhos que eu darei na sua boca
Dentro dos meus braços
os abraços hão de ser milhões de abraços
Apertado assim,
colado assim,
calado assim
Abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim
Que é pra acabar com esse negócio de viver longe de mim
Não quero mais esse negócio de você viver assim
Vamos deixar desse negócio de você viver sem mim

Jardim solitário

Estranho. Programado ou não... certo é que é um
canteiro em forma de fechadura...
Frchadura...mistério...
E se alguém espreitar?
Vê um banco...vê um banco e duas pessoas - um par, ie, um mais uma...
No dia seguinte...
Espreita !
O banco está vazio e assim ficará.
Para sempre...quem sabe?
Porém ninguém pode negar que é um aprazível local de encontro...ou desencontro ?!
O tempo passará , mas o banco continuará igual a si mesmo. Um banco à espera de companhia.
Pobre banco solitário !

We will meet again my friend
A hundred years from today
( or before ? );
Far away from where we lived
Or where we used to play

terça-feira, 6 de abril de 2010

INÊS, minha sobrinha INÊS


Inês, minha sobrinha Inês


Era bem pequenina quando a vi pela primeira vez.


Tinha uma carinha bem redondinha, uns olhinhos grandes, um nariz que mais parecia um “pom-pom”, um cabelinho pouco farto, mas que já fazia prever os lindos caracolinhos louros que iriam dar àquela menina pequenina o último retoque para que fosse uma perfeição. E aquelas covinhas que tinha e ainda tem quando se ri ! Era linda !


A família começou bem cedo a disputar parecenças... o nariz era “achatadinho como o da mãe (pobrezinha ! ), os olhos do pai (na altura ainda não usava óculos !!!), o cabelo ( ou falta dele ) do avô Joaquim , a boca da avó Palmira, da avó “velhinha” as covinhas, quem sabe, os dentinhos ( ou falta deles) do avô Chaninho, o sorriso da avó Candída (que quando sorria era franca e sinceramente , mas nem todos eram contemplados com essa “graça” ! ) ... de mim, da única tia com que a presentearam nada se dizia! Só mais tarde , bem mais tarde se viria a descobrir que da tia Ru-Ru tinha o gosto pelos brincos , pulseiras e outras bijuterias, digo, jóias de “marca” ! E que mal tem isso ? Herdou o gosto pelas coisas valiosas ... e um pouquinho de “ vaidade “ não faz mal a ninguém, só à carteira !


Pois é... esta linda menina viu os primeiros raios de luz no dia 3 de Maio - Maio das flores, Maio da Esperança, Maio da Natureza renascida, Maio de Luta, Maio da revolução, “ Maio, maduro Maio”...


E foi-lhe dado o nome de Inês Maria ( quem sabe se porque Maio também é o mês de Maria , ou porque os paizinhos “babados” quiseram contrariar a tradição e valorizar a história colocando em primeiro lugar o nome de Inês, “aquela linda Inês”, “o mito do amor “ em Portugal ! De facto se fisicamente de nenhum atributo se esqueceram, amor foi coisa que também nunca lhe faltou, nem faltará ( e eu se digo isto é porque sei, e já me informei !)


E como não gosto que me tomem por presunçosa, vou provar aquilo que acabei de dizer. A nossa linda Inês teve o privilégio ( que a nenhuma outra das primas foi concedido, por razões de todos obviamente conhecidas) de passar grande parte dos seus dois primeiros anitos com dois daqueles que mais lhe queriam ( os outros dois estavam longe infelizmente) – a avó Candída e o avô Chaninho para quem aquela menina era uma benção, a maior alegria das suas vidas, a luz dos seus olhos !!!


E foi tão tão mimada que nem as feições de bebé mudaram... A vida é aue mudou. E de que maneira! Do colinho quentinho e fôfo dos avós passou para o infantário... nesse “barquinho” não queria ela enfrentar a tempestade. E chorou ela , e chorou a mãe, e chorou a avó, enfim, foi um “ vale de lágrimas” . Com o tempo foi-se habituando a navegar, a enfrentar as marés...e cresceu, cresceu, cresceu. E também aprendeu a fazer das dela! Sim , que esta carinha de “santinha” esconde muita “malandrice “ por detrás”. Não acreditam? Ora escutem !


Lembro-me como se fosse hoje. A mãe Nanda tinha ido ao consultório do pediatra para saber se ele já tinha chegado. Eu fiquei com a Inês ( dois anos e picos) e a avó Candída cá fora na rua, à espera. Nessa altura a pequenina mas determinada Inês lembrou-se que tinha vontade de fazer xi-xi ( pensávamos nós) e começou por escolher o sítio. Mesmo em frente à montra de uma loja de modas. A Avó Candída bem a tentou dissuadir explicando que à beirinha do passeio era melhor, mas nada. Era ali, bem em frente à montra da loja. Também que mal tinha um “ xixizito “ em plena rua. Mas quê? Xixi, não... era outra coisa bem mais volumosa ( semelhante àquelas que Bocage, diz-se, tapava com um chapéu emprestado ...) da qual nos tinhamos de desembaraçar antes que a loja abrisse. A avó Candída fez das tripas coração e removeu o “ dito cujo” presentinho para um caixote do lixo que por ali se encontrava. Porém a história não acaba aqui. Esta Inês que agora vêem diante de vós a começar a corar, subiu ( ao colo, evidentemente) até casa por ruas e calçadas , olhando fixamente para o chão e pedindo à pobre da avózinha, sempre que via um “có-có “ de cão:


Inês - Vó, apanha !


Avó - Não , este não. É do cão que é feio.


Inês -Apanha , vó !


Avó - Este não. É do cão que é mau .


Inês -Apanha, vó !


Avó - Não, este não. É do cão que é porco . (...)


Vó-vó sofre !!!


Perceberam agora que , como diz o provérbio, “ quem vê caras ( por mais larocas que sejam) não vê corações !”


Ora bem, já que falamos de coração, pareceu-me a mim, da última vez que lhe apalpei o lado esquerdo, não sentir o coração... Será que anda perdido em alguma mão ?


Talvez sim... ou talvez não. Mas por favor encontrem-me esse coração !!!


É que o coração faz falta. E o da Inês é grande, não é coisa que se perca assim. E é de boa qualidade... “made” em Miratejo e não na China ! E quando me refiro a Miratejo é porque esse foi o local exacto para ele começar a bater , a aprender a dar , a partilhar, a amar... e nele estavam os que de forma exemplar e insubstituível muito contribuiram para que a criança, que vimos nascer, se transformasse numa menina- mulher de vinte anos, dedicada, meiga, íntegra e responsável(1) - a estremosa e abnegada mãe, o sempre presente e dedicado pai, os avós, e depois , muito depois, a “chatinha” da maninha Raquel, que às vezes lhe roubava o sono, mas que hoje é doce como o mel.


Obrigada maninha, obrigada cunhado pela sobrinha que me deste, pela prima que as minhas filhas têm e com quem , estou certa, sempre poderão vir a contar. E, quando um dia já cá não estivermos, desejo e espero que elas saibam ( as quatro) quão importante é manter acesa a chama ,darem as mãos nos momentos difíceis, partilharem as alegrias, serem e fazerem os outros felizes.


Para ti INÊS ( que recentemente fizeste 20 anos) o melhor da vida.


Infinitamente


Naturalmente


Exemplarmente


Simplesmente MULHER.



(1) No que respeita a qualidades já sabemos que não lhe faltam...os defeitos que tem herdou-os da tia (já sabia !). É um tanto orgulhosa e nem sempre muito sociável.


Olha filha, não fiques é nunca, como dizia Mário Henriques Leiria, na situação da nêspera ( à semelhança da tua tia ) “sentada , calada... à espera de ver o que acontecia...Um dia chegou uma velha e disse: - Olha uma Nêspera! E, zás , comeu-a. É o que acontece às Nêsperas(...)” e também às pessoas (só a algumas è claro... mas tu de nêspera só tens a pele sedosa ! ). Porém , se é permitido a uma “cota” dar um conselho digo-te que tenhas cuidado pois é extremamente fácil transformarmo-nos em nêspera – inertes e passivos !


Ergue o teu lindo rosto e sorri... sorri sempre, sorri muito...que” esperar não é saber, quem espera perde a hora, “ não vive o “acontecer”.


Que te aconteçam sempre coisas lindas, e...


...qualquer que seja o “acontecer”, podes sempre contar comigo!


Mil Beijocas, querida.






3 de Maio de 2005


Tia Ru-Ru

PS:para ue não restem duvidfas aos mais distraídos, a INÊS é a da direita...óbvio!!!

Notícias de Andorra

A Ana já esqueceu o dia em que perto das 22h fui com ela ao Allegro e gastei cerca de 260 euros. O Pai compreende pois no dia a dia é que lhe devia dar apoio. Eu!? Quando ela cá está só comigo, nem subo as escadas para não ser maltratada, espicaçada ou amesquinhada. Sou mesmo uma anormal, uma besta...NUNCA MAIS APRENDO,por isso é que ela faz o que faz.
Por duas vezes que ligou para o pai , via sms, e nem em mim falou. Da irmã e do avô também se esqueceu.
O pai reenviou-me a mensagem dela.
Pedi-lhe para não o fazer pois ela tem o meu telemóvel, pelo que quando quiser falar comigo é só escrever umas palavrinhas.
Logo no dia da partida, estava prestes a entrar no autocarrosem um beijo me dar. APENAS ACENOU. Entrei para me despedir dela e jogou comigo para fora pois estava a envergonhá-la.
Enfim...o mundo dá muitas voltas, mudam os tempos e as vontades.
Sou mãe pelo que nunca lhe negarei o meu colo / apoio, se necessitar.
MaS LÁ QUE É DURO DE ROER...É!!!

segunda-feira, 5 de abril de 2010

As escolas da Joana


A minha filha Joana, depois de ter frequentado dos 4 meses aos 4 anos de idade um colégio "Piloto Diese"no Campo Grande, mudou-se com 4 anos para o Colégio Manuel Bernardes onde fez o ùltimo ano da Infantil com a educadora Graça, e passou depois para 0 1.º ciclo tendo como professora a inesquecível Professora Natália Tavares.


Daí saiu para a Escola 2+3 de Telheiras onde fez o 5.º e 6.º ano. Com a mudança para Linda a-Velha veio a frequentar , numa turma excepcional, a ESLAV de LInda a Velha, ou melhor a escola do professor Lucas de boa memória.

Nunca conheci ninguém que , como presidente de uma mescola , passasse tão pouco tempo enfiado no gabinete, para percorrer a escola de lés a lés e conhecer um e todos os alunos pelo nome.

Finalmente à comemoração dos 25 anos da escola, juntou-se a atribuição do nome do Professor José Augusto Lucas à escola a quem tanto deu e cuja memória jamais se apagará de todos os que por lá passaram e daqueles que ainda lá estão.

Homem singular ...único!


Faculdade de Ciências /Lisboa-

- Departamento de Bio-química





A escola da professora M.ª do Céu

A escola da Professora Natália









A escola Do Professor José Augusto Lucas







Chegada a Andorra -viagem de finalistas

Hoje, dia 5 de Abril, a minha filha Ana chegou sã e salva a Andorra.
Nada me poderia fazer sentir mais feliz do que ouvir a sua voz dizendo que tinha chegado e estava bem. È evidente que isso não vai acontecer...ligará para o pai, se tiver oportunidade, mas de mim pouco ou nada se lembrará.
Foi, das minhas duas filhas, aquela por quem mais sofri durante a infância : 1.º a suposta luxação da anca; mais tarde a escoliose e a ida a Coimbra para esclarecer todas as dúvidas; depois o 1.º ciclo do Ensino básico, no Colégio Manuel Bernardes, de onde teve de sair para fazer o 4.º ano na escola pública de Telheiras. A professora além de a ter posto de lado, ainda a castigava sem motivo aparente. Quis salvá-la desta situação, escrevi ao Director do Colégio e mudei-a de escola. Uma coisa que a Professora disse ao fim de oito dias ( e porque não tinha quaisquer tipo de informação da infantil que me levassem a pensar assim) foi que " a minha filha não tinha limites!" Queixei-me , barafustei, acusei, ( e penso ainda hoje com razão) e mudei-a de escola. Certo é que
e que a Ana teve um ano mais tranquilo, mas nunca deixou de ter problemas com os colegas. A Ana, como um felino, marca o seu território, mas penetra no dos outros com a maior ousadia.
Terei feito o correcto emrelação à minha filha?
Terá a Ana alguma vez limites para o que diz e faz, para o que me diz e faz ?
Inacreditável, mas já uma vez chamei a polícia por agressão física...depois disso já me pontapeou, mordeu, empurrou e me chamou tudo o que quis. Delicia-se diariamente quando invade oimeu espaço ( garagem) em dizer que isto não é o meu quarto , mas simuma GARAGEM! Como fica feliz por me colcar ao nível térreo!
Um dia sairei deste buraco, perdoarei porque sou mãe, mas jamais esquecerei quem me fez mal e quem foi cumplice de tanta maldade!
A mãe que tanto deu de si para ao fim de 19 anos se sentir a mulher mais infeliz deste mundo, a mãe em não reconhecida nem valorizada.
Que DEus me ajude! Que DEus as ajude!

domingo, 4 de abril de 2010

Dia de Páscoa











Hoje, dia 4 deabril de 2010, partiu para Andorra a minha filha mais nova -a Ana.

Há cerca de 17 anos num dia cinco, estava eu em trabalho de parto no Hospital da Criuz Vermelha. Como o tempo passa. Quanto eu quis e investi nesta criança. Queria que a irmã tivesse uma companhia para quando eu já cá não estivesse. Fiquei feliz por ter duas meninas pois , pensava eu, talvez me apoiassem mais na velhice do que se fossem dois rapazes.
Como me enganei... Cresceram e é bem pouca a empatia entre elas. ( Se ao menos uma fosse como a minha irmã - altruista, abnegada e sensível, maS NÃO GARANTO NADA!!!)A mais velha foi sempre mais dócil, ao ponto do pai e da irmã a achincalharem, coisa que nunca permiti e que a mais nova cobra dizendo que a irmã é a minha filhinha querida. A Joana tem já para dois anos um namorado. Conversamos algumas coisas no início... agora sai e nem cavaco dá `as tropas. A gente sabe que os filhos depOis de criados não são mais nossos, mas podia haver um meio termo.

A mais nova é egoísta, castigadora, implicativa e , por vezes mesmo cruel!

Só mãe chora ao ver partir uma pestinha destas...só mãe está disposta a esquecer e perdoar. Só mãe daria a vida para que nada lhe aconteça nas viagens de ida e de regresso, pois , agora, já pouco se rala comigo, mas durante 9 meses foi só minha. Quer uma , quer a outra.

Estou a escrever com o coração partido e aS LÁGRIMAS A ENSOMBRAREM-ME O MONITOR.

Não espero nem muito, nem pouco da parte delas. O que tiver que acontecer, acontecerá.

Fiz, sempre que pude a minha obrigação, com alegria e vontade...há dois anos que o meu casamento está em fase de falência... há dois anos que vivo na garagem...há dois que suporto este inergúmeno cujo único objectivo é subir na vida, na escala social e ter muito dinheiro para viajar. No verão vai a Macau com as filhas. A viagem poderá ser cara, mas depois vai ter cama, mesa e roupa lavada ( e assim já compensa). Quanto a MIM, JÁ NÃO AMBICIONO GRANDES COISAS... QUERO SOSSEGO E TRANQUILIDADE DE ESPÍRITO, longe daqui,é claro.

As minhas filhas já estão em idade de decidir com quem querem ficar. Se for a vontade delas ficarei só , mas não conformada, porque enquanto eu lhes dei tudo, até o meu próprio tempo de vida, nunca me afastando delas, o pai sempre foi uma figura ausente, que nunca se privou de nada pois sabia que podia contar com a sopeira, como em tempos me chamou. Agora, tal qual o emigrante que quando regresa cativa tudo e todos pois tem o bolso cheio e a memória das pessoas é fraca, assim está ele. Bolso cheio, ar arrogante, insensível e filho da Pauta, q.b.

As filhas até gostam muito de sair com ele ( ao princípio ainda barafustavam, mas agora é facto consumado) Como o rato vão atráS DO QUEIJO. sÃO COMO O COMUM DOS MORTAIS. nÃO AS CENSURO. eU GASTEI O QUE TINHA E NÃO TINHA PARA TRANSFORMAR ESTA CONSTRUÇÃO COM TELHADO,, NUM LAR ONDE SE SENTISSEM BEM. aGORA ESTOU A PAGAR POR ISSO. Lar nunca existiu e para mim sobrou a garagem. Até ver !

Que a vida seja bem dura para quem me tem feito sofrer tanto e que sempre me tratou indignamente.- ESTE HOMEM COM LETRA bem pequena!!! Às minhas filhas desejo que venham a ser mais felizes do que eu, quem sabe, a idade, a maternidade aS FAÇA ENTENDER O QUÃO injustas foram comigo.




Peço a DEus que me Dê uma morte breve,para não lhes dar trabalho. A Ana já diz ( abrincar, mas é a brincar que se dizem muitas verdades)que não quer saber de mim, nem as fraldas me compra...a mais velha não diz nada...é simultaneamente carinhosa e distante.~




Vou aguardar até ao fim dos meus dias.




Talvez DEus ainda me proporcione alguns momentos de alegria, de companhia e afecto...pois de mais não preciso.




Então, até ao teu regreso, Ana Isabel. Espero que te divirtas muito!




Cá estarei à tua espera, como qualquer outra mãe...é que mesmo sofrendo por falta de afecto e carinho, sou máe e isso diz tudo.!




.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

À minha querida irmã

Memórias


A vida corre depressa
Tais corridas no jardim
O tempo deixa lembrança
A infância é mesmo assim...

Na escola, era a melhor
No “quadro de honra” brilhou...
Sempre fomos bem diferentes
Mas amor nunca faltou!

Os anos foram passando
Muita volta o mundo deu
Se a vida não lhe deu tudo
Olhem qu’ela bem mereceu...
E se a esperança não faltar
Melhores dias hão-de vir
Estanos cá para “acudir”,
A quem tanto tem pr’a dar.

Coração grande demais
E cabeça a funcionar
Sentimentos bem leais
Muito amor p’ra partilhar

Fernanda, Nanda ou Maria
Três nomes d’impar mulher
Só quem todo o bem lhe quer
Por ela tudo faria...

Em dia de aniversário
Os parabéns queremos dar
À irmã, à tia , à grande amiga...
Com quem podemos contar

15 de Nonembro de 2003

CARTA AO DIRECTOR DO "malfadado" COLÉGIO M.BERNARDES



Lisboa, 13 de Junho de 2001
Maria do Rosário de C. Barros
(Enc. Educação aluna n.º 1189 / 3.ª A)



Ex.mo Senhor
Director Pedagógico do Colégio Manuel Bernardes,
Dr. Marco Paulo Gomes


É com a mais elevada consideração que me dirijo a V.ª Ex.ª , na tentativa de explicitar a solução que achei adequada para o que de seguida passarei a expor.
Pedindo antecipadamente desculpa pelo tempo que lhe vou “ roubar”, solicito que leia ,com a atenção que por certo lhe merecem todas as exposições que lhe são dirigidas, este meu desabafo.

Era uma criança de dois anos quando começou a frequentar a secção “Infantil” desse Colégio. Em boas mãos foi parar , pois é ainda com enorme saudade e gratidão que ambas recordamos a falecida aulixiar educativa, Sr. D. Fátima. e a educadora e amiga , Sr.ª D. Julieta. Foram anos de tranquilidade e sucesso para a minha filha e para mim. Ela estava feliz e eu também.
Sabendo que a minha filha era uma criança traquina, porventura igual a tantas outras, várias vezes abordei quer a Sr.ª D. Fátima, quer a Sr.ª D. Julieta para saber se tudo corria bem. Nunca ninguém se queixou da minha filha.
Quando alguma coisa corria menos bem, a Sr.ª D. Julieta dizia : -“Ó, Ana, Ó, Ana, Ó Ana !“ e tudo voltava ao normal. ( estas são histórias que a minha filha conta e que a educadora confirma). Em conversas informais que tínhamos aproveitava sempre para dizer aquilo que muitas vezes os pais já sabem, mas dá sempre prazer ouvir na voz de outra pessoa. A Ana é uma miúda muito gira .....e seguiam-se então aqueles elogios que enchem o nosso coração e alimentam a nossa auto- estima !
Um dia, numa festa de Natal, a minha filha ,que representava a Estrela Polar, dirigiu-se com outra coleguinha ao microfone que, embora à frente no palco, não estava a ser utilizado e foi / foram cantar a canção de natal que haviam ensaiado. Não foi desobediência , nem fuga à regra... foi espontaneidade, acredite !... E alguns de nós não conseguiram conter as lágrimas . Aquelas crianças tinham espaço e liberdade para crescerem ! Bem haja !

Infelizmente tudo mudou, quando a minha filha iniciou o 1.º ano, da 1.ª fase ,do 1.º Ciclo do Ensino Básico.
Não tinham ainda decorridos oito dias após o início das aulas e já a minha filha fora “posta na rua” de castigo, e não sem que antes tivesse sido julgada pelos amiguinhos que a acompanhavam desde os dois anos.
À pergunta da professora - “ A Ana também se portava assim na Infantil?”, os alunos deram a resposta que a professora esperava e induzira –“Ainda era pior ! “
Nessa mesma tarde, cheguei mais cedo ao colégio para avisar a professora de que a Ana iria faltar na manhã seguinte por ter uma consulta médica. Quando lhe perguntei se tudo corria bem, respondeu-me:
_ “ A sua filha não tem limites !” ...e enquanto corria apressadamente para o portão do pátio da escola ainda me disse, num tom de quem estava perfeitamente desorientado,
“ Tenho de metê-los na ordem, caso contrário não vão aprender a ler nem a escrever “.
Parei .. e o tempo parou comigo. Tudo esperava ouvir , menos aquilo.
( Por lei, qualquer “expulsão” da sala de aula deve ser devidamente justificada, mas sobre o que havia acontecido, nem uma palavra.)
Diagnóstico demasiado precoce... atitude demasiado drástica, creio !
Eu e o meu marido falamos com a Directora Pedagógica , com o Sr. Dr. Louro e com a professora. Chegamos a sugerir que a Ana mudasse de turma, para seu sossego e dos colegas, mas sem sucesso...
A minha filha chorou sentidamente, não o facto de ter vindo para a rua ( fora pouco tempo e nem vira o Sr. Louro*, disse-me depois) ,mas pelo facto de os colegas a terem julgado injustamente. Disse-mo com amargura, eu disse-o à professora... e a vida continuou.
O ano lectivo decorreu, não sem sobressaltos, com os “ recadinhos”, que se tornaram habituais e sempre na negativa: “ A Ana não fez....” A Ana não estudou...” “A Ana não esteve com atenção...”
E a minha filha , tal como as outras crianças, ávida(s) de aprender e de afecto continuara(m) a dizer ( quem sabe na esperança de que a professora um dia ouvisse aquele apelo) que a professora “ era a mais linda...era a melhor ...era a rainha...” , e a correr para os seus braços, nem sempre abertos , sem perceber (em) que estava(m) ali apenas a “expiar a culpa” de ser(em) criança(s) , de ter(em) energia e ser(em) traquina(s).
Numa reunião que se seguiu , as queixas continuaram... Pouco de positivo havia a apontar .
No início do ano lectivo seguinte, a professora confessou que a turma estava mais calma, porventura porque ” as feras tinham sido amansadas”. A propósito sugeri então que, tendo sido vencida a batalha da disciplina, se travasse agora uma outra batalha, não menos importante – a da auto-estima. Assim, como compensação às informações negativas, sugeri que se escrevessem nos cadernitos daquelas crianças algumas palavras de ânimo, alguns elogios. Às vezes, quase sempre, mais importante do que o “Muito Elevado” no teste, é a palavra amiga do professor que felicita o seu aluno pelo sucesso, ou que levanta o ânimo dos menos bem sucedidos, fazendo-os acreditar que podem fazer melhor !
Sabendo eu bem a quem se referia, a professora disse-me então que não estava ali para imitar o estilo de ninguém e que não tinha tempo para essas coisas ( pouco relevantes para si, estou certa !) Afinal, será que é vergonha aprender com os outros “!?... E prosseguia sempre fazendo a listagem dos conteúdos programáticos a abordar infalivelmente até ao final do ano... e os conteúdos sócio -culturais e afectivos - o espirito de colaboração e cooperação, a solidariedade, o respeito pelo trabalho individual, os valores morais que contribuem para a formação integral do indivíduo ?
Durante esse ano um outro episódio me fez sentir de novo um enorme mal-estar.
Estranhando a falta de informação escrita de carácter quantitativo , perguntei e alguém me disse que a Ana tinha feito um ditado e tinha tido Bom “gordo”. Estranhei que a Ana não me tivesse dito nada ( pois sempre o fizera) e perguntei-lhe o que se passava.

* ( Quando a minha filha se referiu, e eu me refiro ao Sr. Dr. Louro fazemo-lo com o enorme respeito que sempre mereceu, quer dos alunos, quer dos Encarregados Educação)



A Ana chorou como nunca a vira chorar antes, mesmo ali à porta do Colégio, para espanto de duas funcionárias do refeitório que sempre a conheceram como uma menina feliz e sorridente. Afinal tudo se passara assim:
A Ana fizera efectivamente o ditado e a professora classificara-o de Bom, porém no dia em que foram entregues alguém acusou a Ana de ter copiado.
A professora suspendeu então os trabalhos para investigar. Não tinha sido um, nem dois, nem três ...mas muitos, mesmo os que estavam bem longe, a ver “tudo” . Seguiu-se então um inquérito “intimidatório” por forma a fazer a Ana confessar que tinha copiado. A Ana negou, e o inquérito continuou no dia seguinte. A custo, a Ana confessou então que tinha copiado uma palavra. A professora resolveu assim a situação. O “Bom” foi riscado e por baixo ficou escrito :” A Ana copiou o ditado” .
Marquei reunião com a professora e perguntei-lhe o que se tinha passado com o ditado. Respondeu-me então que a Ana estivera todo o tempo de livro aberto.
-“ Então por que motivo não lho tirou e lhe classificou o ditado ?” – perguntei. A resposta foi evasiva, como seria de esperar. Conclui então que naquela aula funcionava uma “experiência de trabalho cooperativo”. À falta de dois professores... o que a professora sozinha não controla, há sempre alguém que denuncia!
Este ano, na reunião habitual com os Encarregados de Educação a professora fez o balanço do trabalho realizado e concluiu que daquelas crianças não iriam por certo “nascer” grandes escritores. Eles lá iam escrevendo , mas eram pouco criativos. Fez, então oportunamente questão de mencionar que , na idade deles, ela era bastante mais criativa.
Intervim então para dizer que, não querendo adivinhar de forma nenhuma o futuro da minha filha, achava que, para a sua idade, ela lia muito e por consequência escrevia, sem muitos erros, estruturando e organizando bem as ideias . Confessei mesmo que gostava de ler o que ela escrevia!
A professora confirmou que a Ana tinha “jeito” e eu confessei-me agradavelmente surpreendida ( nunca nada de semelhante me fora dito anteriormente) e expressei-lhe os meus agradecimentos. Chorei... Afinal pelos recados que lia nos cadernos da minha filha, só poderia concluir que ela era uma má aluna... e chorei... A professora da minha filha disse então, oportunamente, para quem quis ouvir, que eu não gostava dela e andava perturbada com os problemas de saúde dos meus familiares... Conforme pude, tentei explicar que gostar de alguém , não obriga a concordar com tudo o que o outro faz. Não estava a pôr em causa a pessoa, mas o método “pedagógico” utilizado... Afinal, mais do que ninguém os professores devem estar abertos a todas as sugestões que possam vir a contribuir para melhor rentabilizar o trabalho dos seus alunos. Ser professor é ensinar e aprender.
Uma outra altura houve, em que os alunos desenhavam para um concurso. A professora tentava escolher alguns meninos, digo, alguns desenhos. Não fosse a professora de Iniciação Artística a olhar atentamente para o trabalho da Ana e este teria mais uma vez sido ignorado. Obrigada senhora professora !
Este ano as coisas têm corrido bastante mal para a Ana. A irmã está a frequentar o 5,º ano e , no meu entender, precisava de algum apoio e orientação (as mudanças de ciclo são sempre perturbadoras). A Ana autónoma , responsável e organizada como era, iria conseguir aguentar-se sozinha. Enganei-.me e disse-o à professora, mal a Ana começou a revelar alguma instabilidade, menor capacidade de organização e ausência quase total de autonomia. Deixou de fazer os trabalhos de casa se eu não estivesse junto dela, começou a coleccionar “post-it” com recados da professora, assumia frequentemente o erro em situações em que nada lhe era imputável , culpabilizando-se por tudo, e por último começou a pedir para não ir à escola.
À informação dada, a professora apenas reagiu dizendo que a Ana já não tinha idade para ter ciúmes. Será que a Sr.ª professora sabe a idade da minha filha ? Tem oito anos... é ainda uma criança !!!
Tentei perceber.. falei com ela e com alguns colegas e retirei as minhas conclusões. “ A professora culpa sempre a Ana e põe-na de castigo, mesmo quando não é ela que começa “ “ Eu não tenho os mesmos direitos.” – disse-me a Ana, o que já há muito percebera, e os colegas confirmaram.


Nestes últimos tempos a Ana tem ido frequentemente para o “caixote do lixo” – local de castigo junto à porta. E tudo começa assim... Enquanto faz os trabalhos, tal como em casa, a Ana vai trauteando de forma quase inaudível uma melodia. O colega da frente pede-lhe em surdina para fazê-lo mais baixinho. Os restantes rapazes por quem está rodeada - a Ana esteve sempre e continua na última fila ( apesar de ter já informado a professora de que lhe fora diagnosticada ligeira miopia), afastada de todos as meninas - mal o ouvem, começam em voz alta a mandar calar a Ana ... e a Ana responde... e eles insistem... Quando o ambiente começa a ficar “incontrolável” a professora que , se calhar, nunca percebeu que a Ana gosta de “cantar baixinho” enquanto trabalha (é esse o grave crime que comete), põe a Ana de castigo, junto ao caixote do lixo. Em pé , a Ana olha para a turma e para os meninos que a puseram naquele lugar...eles deitam-lhe a língua de fora, ela faz uma “careta” querendo mostrar que não lhes liga. Então alguém da turma diz: “Ó professora, a Ana está a brincar para nos distrair.” A professora, pedagogicamente, diz: “Ana, já para a rua! “ A Ana vai, mas... se hesita por momentos para explicar o que se estava a passar, há logo um ou dois alunos que , em socorro da professora, dizem: “ Ó Ana, não ouviste a professora ? ““ Ó Ana, não ouviste a professora ? “
A Ana sai ... e com ela a revolta, a tristeza, a sensação de estar a ser injustiçada !
Agora, os colegas, já perceberam que esta estratégia dá resultado.. e insistem. Se outro motivo não houver, pelos menos enquanto centram a atenção na Ana, eles podem “folgar” um pouco mais...
Na véspera da visita de Estudo, foi proposto aos meninos que escolhessem o seu parceiro. Uma menina disse que queria ir com a Ana. A Ana aceitou.
A professora fez um aviso. “ Olha, Ana, se vais com... para a incomodar, eu separo-te e vens para ao pé de mim! “ Afinal, a Ana não incomodou.
Antes de terminar queria ainda referir uma situação que foi tremendamente penalizadora para a Ana e muito angustiante para mim.
Há cerca de duas semanas a Ana ia ter teste de Matemática. Pediu-me para estudar com ela. Tinha no entanto em minha casa , três amiguinhas da minha filha mais velha e ex-aluna do Colégio ( a que vai recordar com saudade , para o resto da vida, o colégio e a excelente professora que com ela trabalhou ), que vinham estudar com ela para melhorar uma nota. Pedi à Ana que estudasse com o pai. Ela insistiu que preferia que fosse comigo. Entretanto as horas foram passando e o tempo de deitar chegou. A Ana apercebeu-se de que não tinha feito a revisão para o teste e chorou.. Disse que ia ter negativa e a culpa era dela pois não quisera aproveitar a oportunidade de estudar com o pai. Tentei confortá-la, dar-lhe ânimo, fazê-la acreditar nas suas capacidades, mas de nada valeu. ( Aliás era tarefa difícil pois ela já aprendeu que para Matemática não presta..) Deitou-se e acordou a chorar.
Levei-a à escola, contei à professora o que se passara , pedi-lhe que olhasse para a cara da Ana e a desculpasse se alguma coisa corresse menos bem.
Sem a menor afectividade e em tom zangado a professora perguntou:
-“ Ana , fizeste a ficha de preparação para o teste ? Ai, não ! Então se não fazes os trabalhos de casa nem estudas é porque queres chumbar , não é?
De olhos baixos , rasos de lágrimas, a Ana foi respondendo a tudo que “não”
Foi um momento de catarse !
Ainda fiz um derradeiro apelo, que prontamente foi recusado .
-“ Não posso desculpá-la, se não o que digo aos outros...”
E, para acabar o dia em beleza, a Sr.ª professora corrigiu e entregou nesse mesmo dia, apenas dois testes (os outros alunos viriam a receber os seus cerca de uma semana depois) – intencional ou pura coincidência? – o da Ana com “ Reduzido” e o de outro aluno com “ Muito Elevado” . Era a primeira vez que a Ana tinha semelhante nota, e chorou. As colegas tentaram consolá-la . A professora não deixou, dizendo que a Ana tinha o que merecia...e ameaçou : “ Se continuas a chorar vais ao Senhor Director !”

Afinal que graves erros cometeu a Ana para ser assim “exposta “e “perseguida” , maltratrada desta maneira ? ( Será que os castigos da minha filha era a mim que se destinavam ? É tão feio e imoral que nem quero pensar nisso ! )
Nunca, quer a professora de Iniciação Artística ( com quem falei uma vez), quer o Professor de Educação Física , quer a Professora de Inglês, que conheço melhor e por quem nutro enorme consideração, me falaram da Ana como sendo um caso particular e especial de “indisciplina”. Houve sim quem me falasse da falta de solidariedade e de espírito de inter-ajuda que caracteriza a turma, como mal a combater e a corrigir.
Para terminar, pedindo desculpa pelo meu extenso “ desabafo”, venho pela presente informar que são motivos graves de carácter meramente pedagógicos que me levaram a solicitar a transferência da minha filha para outra escola.
Para crescer e aprender é preciso que nos sintamos bem... que “invistam” em nós.
A minha filha sente-se infeliz , injustiçada e desmotivada na turma que frequenta.
Dos amigos e da Rosa, ela já me disse que vai ter saudades...do colégio quem sabe! Da professora, decerto que não. (Ainda há bem pouco tempo me confessou, a chorar, o seu desencanto: “ Afinal eu enganei-me, mãe. A minha professora não é a melhor do mundo. Não é justa. “)
Consegue imaginar quanta angústia vai na alma desta criança de oito anos para fazer esta afirmação ?!.
Bom , graças a Deus, chegamos ao fim...e a Ana vai sobreviver, porque o que eu, o pai e todos os que gostam dela ( e não são poucos) queremos é que ela seja feliz. Deus há-de ajudar-nos !
Sem outro assunto,
subscrevo-me com elevada consideração
de V.ª EX.ª
A Encarregada de Educação

_________________________________
(Maria do Rosário de Carvalho Barros)

À nossa Inês

À nossa Inês ...

Meninas como a Inês

Há poucas neste país,

Felicidade vezes três

E tudo que sempre quis...

Trabalhou sem se “cansar”

O prémio do esforço viu

Os parabéns queremos dar

A quem vinte conseguiu.

Que a vida lhe sorria

Nunca lhe falte o alento

Viva com muita alegria

Quem mostrou tanto talento

Setembro 2003
( Titia Ru-Ru, primasAna e Joana )

Memórias de uma burra de "rastos"

Ao meu marido e a todos aqueles
que não me compreendem e me acusam
de não ser super mulher e super mãe...




Memórias de uma burra “ de rastos”




Casei há doze anos por paixão... O meu marido fez uma carreira de sucesso ( de simples empregado de uma multinacional, passou a chefe de secção... a chefe de departamento e , quem sabe quão longe mais chegará...). Tenho duas filhas que adoro e por quem dava a vida, mas contrariamente ao que seria de esperar, não sou uma mulher feliz – sinto-me angustiada, reprimida, rebaixada, constantemente censurada, deprimida, esgotada...
Ao longo dos doze anos do meu casamento, embora recorde alguns momentos de felicidade – o nascimento das minhas filhas, algumas viagens que fiz, momentos breves de harmonia ...- fui acumulando desilusão, desamor, incompreensão, culpabilidade.. fui perdendo auto-estima, força, criatividade e o desencanto instalou-se. Sinto-me um farrapo. Um destroço, um dejecto mal cheiroso, meto nojo a mim mesma.
Como esposa, fico muito aquém do que o meu marido sempre desejou e deseja...
Como mãe não sou exemplo para ninguém...
Como mulher a dias, diz o meu marido , cumpro as minhas tarefas na perfeição!!!
Profissionalmente, vou fazendo o melhor que posso e sei. Progrido na carreira pela antiguidade e não pelo mérito. È que nós funcionários públicos somos todos uma corja de calões e incompetentes que vivemos à custa do Estado. Por outras palavras, somos pagos pelos outros trabalhadores que produzem e descontam para que possamos receber o ordenado - fraco , para nós- mas excessivo pelo pouco que produzimos!
Será muita exigência, pedir um pouco mais para mim ?
Evidentemente ! Quem não quer ser lobo não lhe veste a pele. E eu visto a farda na perfeição!
Não leio livros nem jornais, não converso com as minhas filhas, vejo telenovelas em sessões contínuas e não converso com o meu marido como as outras mulheres do meu nível (mas eu não tenho nível nenhum!) ...converso com as amigas ( qual mulher- a- dias calhandreira), dou conversa às vizinhas, e tenho atitudes impróprias para quem é mulher de um engenheiro e vive numa vivenda . Recebo poucos amigos e mal. Os familiares não nos visitam . Receberei toda a gente tão pouco cordialmente, serei tão má anfitriã ? Pelos vistos! ( E quando alguém me elogia ou diz gostar de mim, no mínimo , o meu marido estranha!!! )
Devo ter cometido muitos erros, não tantos como os que me são apontados, mas também devo ter algum mérito. Eu sei que tenho, penso para mim , nos dias menos cinzentos... nos outros choro, fecho-me na minha concha, isolo-me , durmo, durmo, durmo ( à espera de não acordar para não voltar a ouvir mais acusações, para não ter de calar e acumular mais revolta... Revolta ? Sim, revolta. Sinto-me perseguida e tremendamente injustiçada.
È evidente que a vida me deu tudo ( ou quase tudo) o que sonhei.
Tenho um marido que diz que me ama.
Tenho duas filhas de que me orgulho.
Tenho uma casa de sonho .
Tenho um cão.
Tenho um carro.
Tenho um ordenado ao fim do mês e estabilidade profissional.
Enumerei o tudo.. o quase tudo (e é muito) é o que me faz sentir tremendamente infeliz.
Não sonho com uma medalha, não sonho com diplomas de bom comportamento, nem elogios pelo cumprimento daquilo que considero meu dever ( embora sinta frequentemente que ultrapasso o humanamente possível ) , mas um elogio, um palavrinha de estímulo sabe bem a qualquer um.
Afinal eu tenho duas filhas , que gostam de mim (acho), e eu bem mereço.
Pese embora o facto de ser frequentemente acusada de não me preocupar senão com o material – as barriguinhas para encher, as roupinhas para vestir, os lápis , as canetas, as mochilas em “triplicado – e de menosprezar o importante que é o espiritual – o ser individual e social que as faz crescer por dentro ,gostaria, portanto, de levantar algumas questões.
Será que o meu marido parte sempre intranquilo quando as deixa nas minhas mãos ? Será que o faz porque não tem alternativa ? Será que se preocupa mais com os outros do que eu ?
Não !
Estava em fim de tempo. A Joana iria nascer mais dia menos dia.
Comecei com contracções. Durante três dias e três noites corri para o hospital , mas fui sempre reenviada para casa. Sofri sozinha dores terríveis durante três loooooooongas noites...não comia, não dormia... em momentos de desespero tentava pedir ajuda ao meu marido, mas ele queria dormir. Senti-me só pela primeira vez.
Estava grávida de sete meses e , por ter começado com contracções, o obstreta medicou-me com Prepar-retard para evitar um parto prematura. O meu marido teve de se ausentar para o estrangeiro e eu, com medo, fui para casa dos meus pais. Mal sabia o que me esperava... Às duas da manhã a Joana acordou a chorar...Acendi a luz do quarto. Estava ensopada em sangue. Peguei no carro, fiz das fraquezas forças, e corri com ela para o hospital. Voltei às cinco da manhã e toda eu tremia... e estava só !
Tinha a Joana dois anos e a Ana três meses quando o meu marido foi à Expo de Barcelona e me deixou com duas bebés nos braços. Uma noite , de tão cansada, deixei os biberões a ferver e só acordei no dia seguinte com um cheiro horrível a borracha queimada. Nada restava no tacho... restávamos nós sãs e salvas, graças a Deus. Estava só... telefonei aos meus pais e pedi-lhes que me comprassem dois ou três biberões pois não tinha nenhum recipiente para dar de comer às minhas filhas.
Lembras-te daquele dia em que a Ana, à hora de jantar , deu um empurrão à Joana e ela , tendo batido contra a esquina do armário que se encontrava atrás da porta da cozinha, partiu a cabeça. Só quando ia ralhar com a Ana e a cara dela se transfigurou e eu me aproximei da Joana é que reparei que tinha o pijama e a camisola interior ensopada em sangue. Há coração que resista? O meu. Rapei-lhe o cabelo em volta da ferida, desinfectei e pus um penso. Quando acabei toda eu tremia e estava só.
Lembras-te também daquele dia à noite em que a Jone me avisou de que deveria estar em Coimbra no dia seguinte às nove da manhã para que a Ana fosse vista pelo pediatra mais conceituado do Hospital Pediátrico , após lhe ter sido diagnosticada uma luxação da anca e um escoliose na coluna. Fui sozinha.. tinhas uma viagem nesse dia. E voltei sozinha , parando de meia em meia hora para não adormecer no regresso...
Lembras-te daquele fim de tarde em que a Joana, por lhe ter ralhado e obrigado a ir lavar os dentes, começou a chorar ( e como era seu hábito) começou a ir atrás do choro, ficou com a boca arroxeada e me desmaiou nos braços. Arrastei-a da casa de banho em peso ( estava nessa altura na quarta classe) até à entrada da sala, deitei-a no chão e com água fria e umas palmaditas no rosto tentei reanimá-la. A Joana acordou, sem perceber o que se tinha passado, e eu fiquei minutos sentada no chão a chorar ...sozinha.
Lembras-te daquele imenso corredor que vezes sem fim percorri com elas ao colo quando tinham uma otite e lhes cantava sem cessar cantigas para as consolar e fazer esquecer a dor ? Uma vez foste tu com a Joana. Estranhaste quando te pediu que cantasses. Percebeste ( disseste-mo) quando ela te disse que a mãe cantava sempre.
Lembras-te das bronquiolites da Ana e das máscaras de Ventilan que fazia durante horas no H.S.M. sempre que a Ana se constipava e ficava com dificuldades respiratórias ?
Lembras-te do dia em que a Joana caiu na Escola e ficou com a boca toda deformada de tão inchada? Sabes quem correu de imediato com ela para o hospital ? Viste-a quando já tudo estava resolvido, mas não viste as minhas pernas a tremer e a fraquejar e as lágrimas a saltar descontroladamente quando a vi minutos depois da queda. Nesse dia , não estavas fora, mas também não chegaste para jantar. Estive infinitamente só.
Lembras-te das noites que dormia em três almofadas, no chão, com receio que a Joana tivesse hemorragias de noite?
Lembras-te das canções que inventei para as adormecer quando eram bebés ?
Lembras-te dos banhos, das fraldas sujas, dos cocós, das diarreias, dos vómitos, das gastro-enterites ( eu sei de cor o nome dos medicamentos), do eczema atípico que deixava as mãos da Joana em chaga, dos dermatologistas que corri, das consultas de dermatologia no H.S.M, até finalmente encontrar a solução com a Dr.ª ....(dou-te um doce , se souberes o nome dela! ) que finalmente deu solução para o problema, dos aparelhos para os dentes, das vacinas sempre em dia... lembras-te da natação no campo grande, ao Sábado de manhã ( eram elas ainda bebés) onde te recusavas a ir por causa do calor sufocante debaixo da lona ... Achas que uma mãe pode fazer mais ?
Lembras-te dos trabalhos de casa que, a horas ou fora delas , quer tu estejas ou não, elas nunca deixaram de fazer... lembras-te dos trabalhos que apresentaram na escola com a minha ajuda.. .lembras-te dos inúmeros testes que fizeram sem que nunca deixasse de fazer com elas algum trabalho ou apenas um revisão, lembras-te das muitas reuniões a que nunca faltei mesmo que não pudesses estar presente... Não.
Lembras-te porém das vezes em que me falta a paciência e que grito com elas, das histórias que não lhes leio, das conversas que não tenho com elas, do excessos de televisão que permito ( enquanto faço o jantar ou estendo a roupa ). Achas que sou a super mulher... que não sinto o cansaço... que resisto a tudo e a tudo sou obrigada ? Achas que as nossas filhas se sentem abandonadas e que não converso, brinco ou rio com elas durante as tuas, às vezes, longas ausências ? Porque será que chamam tanto por mim ? Não é por certo por gostarem mais de mim ,porém talvez porque é comigo ( infelizmente , pensas tu) que passam a maior parte do tempo... faltar-lhe-ão maneiras à mesa, faltar-lhe-ão algumas normas ou regras... mas elas também têm pai. Será muito complicado ou difícil perceber que as mães não são auto suficientes para gerarem um filho, tal como o não são o “q.b.” para os educarem. A família é uma instituição e só funciona bem ( à semelhança de qualquer outra instituição) quando cada um dos membros por si e todos em conjunto cumprem as suas tarefas individuais para o bem estar colectivo. As nossas filhas têm uma mãe que grita de exaustão e um pai em part- time. Achas justo estares sempre a criticar-me? Se o teu dedo indicador ferisse eu estava numa chaga ( por fora não se vê, mas por dentro acredita que sangro!!!)
Achas que a minha política é a do facto consumado. Disseste-o hoje , quando te perguntei se podias levar a Ana à Musica, não quando te exigi que o fizesses. Achas mesmo que se tivesse outra alternativa eu tinha escolhido outro horário? Quem achas que a vai levar à Música quando fores jogar golfe ou fores para fora ? Achas que gosto de me levantar cedo ao Sábado ? Sabes que sempre evitei marcar compromissos para o Sábado ? E sabes porventura quantas professoras dão Formação Musical 1 , e quantos alunos permitem por turma ? Seria melhor pensares que não tive alternativa e de que nada serviria telefonar a perguntar se tu concordavas , pois não tive outra opção.
Tu que dizes que a tua vida é psicologia, achas que é indicador de sensibilidade pedires para eu levar a Ana à escola, por capricho ou para me castigares, e quando te perguntei se tu, dessa vez, não podias, me respondesses:
- Posso, e tu ? Estás a trabalhar ? ( Em doze anos nunca me viste de atestado médico senão após aos partos ou as operações que fiz – ao joelho e às varizes – ou quando as meninas estiveram doentes. Achas que estou em casa por mimo ou capricho ? Estou em casa porque me sinto à beira do precipício, porque alcancei os meu limites... porque me sinto sem coragem, sem alento, sem ânimo...doente.
- Achas correcto tratares-me como se eu fosse uma adolescente e desligares a televisão às 23H 50m, no preciso momento em que eu estava a ver a novela , como qualquer serviçal que se preze? Não vejo telenovela porque gosto de coisas “pimba” , mas porque enquanto vejo televisão cor-de-rosa esqueço por momentos a negridão que me vai na alma..,e consumo, consumo, tal como durmo, durmo, durmo...
- Achas bem ralhares comigo porque levantei cem euros da tua conta, oito dias antes de tos voltar a depositar ?
Passei 15 dias no Algarve sozinha. Tive saudades tuas e pensei que ao voltar, estaria perdoada, estarias perdoado ( Lembras-te de tudo o que me disseste na véspera de eu partir. Lembras-te do que te respondi. Impossível, eu não abri a boca. Ouvi simplesmente e achei que mais uma vez foste tremendamente injusto comigo. Calei...guardei...sofri..) Que parva e ingénua eu sou! Afinal , no dia em que te pedi cem euros ( 20 contos) respondeste mais prontamente do que se te telefonasse para perguntar se estavas bem... ( terias porventura dito para desligar pois estavas numa reunião e ligarias mais tarde) e foste célere e eficaz a dizer rotundamente NÃO ! Tudo estava como sempre. E fui pedir esmola a outra porta. Aquela porta que nunca diz não...A porta , o porto de abrigo que precisamos até morrer e que infelizmente perdemos sempre mais cedo do que desejamos e quando mais precisamos !
Por mais estranho que pareça a minha casa deveria ser o meu porto de abrigo, o meu companheiro o faroleiro que me ajudaria em momentos de tormenta, mas afinal tudo se passa ao contrário.
Por mais que faça para engrossar a “ gota de água” com que contribui para a construção deste porto de abrigo, mais mérito não tenho. Será que trabalho não é dinheiro ? Talvez não. Mas lá que tenho trabalhado muito, tenho. Quem cá vem diz que está bem e eu tenho feito tudo para que esteja óptimo...para que não te falte nada, para que não lhes falte nada e gostem da casa onde vivem... tu não te cansas de dizer que passas a vida a tropeçar nas “merdas” que eu compro , no lixo que eu encafuo, nas porcarias que eu faço. Curta é a vida para tanto desmerecimento... Afinal para que sirvo? Como mãe não presto, como mulher não presto ( tenho pouca vontade de fazer amor, o sexo não me motiva) , como cozinheira sou repetitiva , pouco original, pouco pontual o que prejudica a saúde do meu marido e das minhas filhas...além do mais sou viciada em drogas ( tomo comprimidos porque me tornei dependente) e sou fumadora ( deverei sentir-me responsável se as minhas vierem a fumar porque me vêem fumar e até se porventura se tornassem de outras coisas dependentes – o fumo também é uma droga e de uma coisa à outra vai um passo de formiga, dizes tu...), não respeito os outros, cheiro mal da boca, cheiro mal dos pés...tenho os dentes pretos e borbulhas na cara... sou uma merda. Felizmente que alguma merda é biodegradável- essa qualidade eu tenho. Sou degradável e estou já em degradação acelerada.
Como te sentias, se te sentisses como eu me sinto?
Em que pensavas, se pensasses o que eu penso ?
Sofrias ?!
Para terminar só mais uma coisa que me preocupa?
Porque é que eu não estou à altura da casa em que vivo? Porque cheiro mal da boca e dos pés, porque tenho os dentes pretos e borbulhas, ou porque deveria adoptar outra postura e passar a falar só com pessoas cultas e bem situadas na vida?
Olha lá, quando no outro dia te contei o que a D. Maria José disse à Joana acerca dos medicamentos a tomar quando se têm dores menstruais e tu me respondeste assim:”_ È uma pena trazer cá para casa pessoas com esta cultura?” , pensaste no que disseste ou fizeste-o, mais uma vez, irreflectidamente. . Espero sinceramente que o tenhas dito sem pensar, pois caso contrário aqui em casa , das nossas famílias, só poderia entrar o Marinho, a mulher, a minha irmã e o meu cunhado...na minha família e na tua poucos mais haverá que tenham feito algo além da 4.ª classe !!!
Se o disseste sentidamente , tenho razão para ficar muito preocupada. Assim sendo estarias a perder alguns valores morais valiosíssimos. È que as pessoas não valem pelos diplomas que possuem, as pessoas não valem pela existência . O que vale é o ser , a essência.
Por isso eu falo com igual respeito, consideração e prazer com o jardineiro que me bate à porta, com a D. Maria José que é analfabeta ( mas é boa) com a D. Amália que , tendo bom ou mau aspecto, bom ou mau feitio, sempre trabalhou honestamente e criou sozinha um filho de que se pode orgulhar, com o mecânico que me arranja o carro... com as empregadas da minha escola – gosto bem mais de algumas delas do que de algumas colegas, cheirosas e lindas por fora, letradas e cheias de diplomas, mas que estão vazias, podres e fedendo por dentro.
Vou terminar , mas antes quero explicar porque decidi escrever o que me vai na alma e tanto me faz sofrer.
Em primeiro lugar porque a psicóloga disse que me faria bem escrever, pôr fora o que me faz sofrer. As coisas saem , ganham vida própria e deixam de nos pertencer...como se parisse um filho, com muita dor, para que não fosse mais um pedaço do meu eu.
Em segundo lugar porque não seria capaz de te dizer todas estas coisas. Diria umas, esqueceria outras...seria interrompida e acabaríamos a conversa , sentindo mais uma vez que eu sou a culpada de tudo. Em vez de fada saí bruxa... tudo em que ponho a mão estrago.
Estrago as pessoas, faço-as sofrer... bato com as portas, incomodo...bato com os armários, não tarda está tudo em cacos...rego o jardim, desperdiço água...não ponho os tachos e panelas devidamente centrados, desperdiço gáz...ando para trás e para a frente para gastar gasolina... dou o meu número de telefone ao vizinho para me evidenciar... compro livros , para me armar... levanto-me tarde para não trabalhar e ao sábado e ao domingo para ir almoçar fora e o marido pagar ...compro roupa sem necessitar e fruta para estragar...tenho dívidas , que quando morrer o meu marido irá pagar... quem compraria esta casa, se não fosse o meu marido a poupar.
Como iria o meu marido poupar se não fosse eu também a ganhar ? Uma ninharia , está certo, mas que serve para me me vestir e calçar, para as vestir e calçar, para nos alimentar, a minha gasolina pagar, com a natação e a música não faltar, à empregada o ordenado dar, os livros , outros materiais da escola e as prendas dos amigos e familiares custear...
Nestes últimos doze anos aprendi com o meu marido que, inconscientemente ou não, para nos protegermos de possíveis agressões, para esconder algumas das nossas falhas, para nos libertarmos das nossas tensões , e sabe-se lá por que outras razões , banais ou freudianas, nada há como bombardear os outros com agressões, fazê-los bater e sentir lá bem no fundo ... é da física ( se estou errada , desculpa a ignorância) que dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar. Assim para um estar por cima, o outro tem de estar lá bem em baixo, de bico calado.
Eu estou lá bem em baixo.
De bico calado, não.
Ainda falo, grito, barafusto e esperneio...não por ter força, mas porque tenho garganta...e muita , muita , muita dor... a dor derradeira... uma dor que mata.
Não acredito que faças e digas tudo o que me dizes e fazes por mal...Acredito quando dizes que gostas de mim... estou certa de que não sabes gostar de mim...porventura também não sei gostar de ti como devia, mas não te ridicularizo, não te torturo, não te amesquinho tanto. Não és a ultima pessoa do mundo em quem penso e com quem me preocupo, como disseste no outro dia.
Se não durmo contigo e não tenho vontade de falar contigo, de te abraçar e beijar , não é por não te amar, é porque estou a sofrer muito, estou a sangrar, a esvair-me, a morrer um pouco cada dia. Tenho vontade de me afastar, para me proteger.
Não leias este texto, pensando que te quero apenas censurar.
Quero sobretudo que penses em tudo o que disse...para te ajudar a me ajudares...para nos salvar.
Não há lágrimas que saciem a minha vontade de chorar.
Desculpa...não te quis magoar.
Temos de aprender a amar. Para amar não é preciso fazer sofrer.
Amar é cativar...Cativa-me ou perdes-me.
Eu afasto-me para ganhar tempo e espaço para te cativar... não para te abandonar... ( tento fazer tréguas...preciso de uma pausa para recuperar, acalmar , esquecer, perdoar e recomeçar a amar )





Da ( sempre) tua mulher, a burra “ de rastos” , mas que se quer / que nos quer pôr de pé...

Rosário ( de lágrimas !!! )