A DOR

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A dor que dói...

VIDA

Tejo que levas as águas, correndo de par em par, lava a cidade de mágoas , leva as mágoas para o mar...

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terça-feira, 6 de abril de 2010

INÊS, minha sobrinha INÊS


Inês, minha sobrinha Inês


Era bem pequenina quando a vi pela primeira vez.


Tinha uma carinha bem redondinha, uns olhinhos grandes, um nariz que mais parecia um “pom-pom”, um cabelinho pouco farto, mas que já fazia prever os lindos caracolinhos louros que iriam dar àquela menina pequenina o último retoque para que fosse uma perfeição. E aquelas covinhas que tinha e ainda tem quando se ri ! Era linda !


A família começou bem cedo a disputar parecenças... o nariz era “achatadinho como o da mãe (pobrezinha ! ), os olhos do pai (na altura ainda não usava óculos !!!), o cabelo ( ou falta dele ) do avô Joaquim , a boca da avó Palmira, da avó “velhinha” as covinhas, quem sabe, os dentinhos ( ou falta deles) do avô Chaninho, o sorriso da avó Candída (que quando sorria era franca e sinceramente , mas nem todos eram contemplados com essa “graça” ! ) ... de mim, da única tia com que a presentearam nada se dizia! Só mais tarde , bem mais tarde se viria a descobrir que da tia Ru-Ru tinha o gosto pelos brincos , pulseiras e outras bijuterias, digo, jóias de “marca” ! E que mal tem isso ? Herdou o gosto pelas coisas valiosas ... e um pouquinho de “ vaidade “ não faz mal a ninguém, só à carteira !


Pois é... esta linda menina viu os primeiros raios de luz no dia 3 de Maio - Maio das flores, Maio da Esperança, Maio da Natureza renascida, Maio de Luta, Maio da revolução, “ Maio, maduro Maio”...


E foi-lhe dado o nome de Inês Maria ( quem sabe se porque Maio também é o mês de Maria , ou porque os paizinhos “babados” quiseram contrariar a tradição e valorizar a história colocando em primeiro lugar o nome de Inês, “aquela linda Inês”, “o mito do amor “ em Portugal ! De facto se fisicamente de nenhum atributo se esqueceram, amor foi coisa que também nunca lhe faltou, nem faltará ( e eu se digo isto é porque sei, e já me informei !)


E como não gosto que me tomem por presunçosa, vou provar aquilo que acabei de dizer. A nossa linda Inês teve o privilégio ( que a nenhuma outra das primas foi concedido, por razões de todos obviamente conhecidas) de passar grande parte dos seus dois primeiros anitos com dois daqueles que mais lhe queriam ( os outros dois estavam longe infelizmente) – a avó Candída e o avô Chaninho para quem aquela menina era uma benção, a maior alegria das suas vidas, a luz dos seus olhos !!!


E foi tão tão mimada que nem as feições de bebé mudaram... A vida é aue mudou. E de que maneira! Do colinho quentinho e fôfo dos avós passou para o infantário... nesse “barquinho” não queria ela enfrentar a tempestade. E chorou ela , e chorou a mãe, e chorou a avó, enfim, foi um “ vale de lágrimas” . Com o tempo foi-se habituando a navegar, a enfrentar as marés...e cresceu, cresceu, cresceu. E também aprendeu a fazer das dela! Sim , que esta carinha de “santinha” esconde muita “malandrice “ por detrás”. Não acreditam? Ora escutem !


Lembro-me como se fosse hoje. A mãe Nanda tinha ido ao consultório do pediatra para saber se ele já tinha chegado. Eu fiquei com a Inês ( dois anos e picos) e a avó Candída cá fora na rua, à espera. Nessa altura a pequenina mas determinada Inês lembrou-se que tinha vontade de fazer xi-xi ( pensávamos nós) e começou por escolher o sítio. Mesmo em frente à montra de uma loja de modas. A Avó Candída bem a tentou dissuadir explicando que à beirinha do passeio era melhor, mas nada. Era ali, bem em frente à montra da loja. Também que mal tinha um “ xixizito “ em plena rua. Mas quê? Xixi, não... era outra coisa bem mais volumosa ( semelhante àquelas que Bocage, diz-se, tapava com um chapéu emprestado ...) da qual nos tinhamos de desembaraçar antes que a loja abrisse. A avó Candída fez das tripas coração e removeu o “ dito cujo” presentinho para um caixote do lixo que por ali se encontrava. Porém a história não acaba aqui. Esta Inês que agora vêem diante de vós a começar a corar, subiu ( ao colo, evidentemente) até casa por ruas e calçadas , olhando fixamente para o chão e pedindo à pobre da avózinha, sempre que via um “có-có “ de cão:


Inês - Vó, apanha !


Avó - Não , este não. É do cão que é feio.


Inês -Apanha , vó !


Avó - Este não. É do cão que é mau .


Inês -Apanha, vó !


Avó - Não, este não. É do cão que é porco . (...)


Vó-vó sofre !!!


Perceberam agora que , como diz o provérbio, “ quem vê caras ( por mais larocas que sejam) não vê corações !”


Ora bem, já que falamos de coração, pareceu-me a mim, da última vez que lhe apalpei o lado esquerdo, não sentir o coração... Será que anda perdido em alguma mão ?


Talvez sim... ou talvez não. Mas por favor encontrem-me esse coração !!!


É que o coração faz falta. E o da Inês é grande, não é coisa que se perca assim. E é de boa qualidade... “made” em Miratejo e não na China ! E quando me refiro a Miratejo é porque esse foi o local exacto para ele começar a bater , a aprender a dar , a partilhar, a amar... e nele estavam os que de forma exemplar e insubstituível muito contribuiram para que a criança, que vimos nascer, se transformasse numa menina- mulher de vinte anos, dedicada, meiga, íntegra e responsável(1) - a estremosa e abnegada mãe, o sempre presente e dedicado pai, os avós, e depois , muito depois, a “chatinha” da maninha Raquel, que às vezes lhe roubava o sono, mas que hoje é doce como o mel.


Obrigada maninha, obrigada cunhado pela sobrinha que me deste, pela prima que as minhas filhas têm e com quem , estou certa, sempre poderão vir a contar. E, quando um dia já cá não estivermos, desejo e espero que elas saibam ( as quatro) quão importante é manter acesa a chama ,darem as mãos nos momentos difíceis, partilharem as alegrias, serem e fazerem os outros felizes.


Para ti INÊS ( que recentemente fizeste 20 anos) o melhor da vida.


Infinitamente


Naturalmente


Exemplarmente


Simplesmente MULHER.



(1) No que respeita a qualidades já sabemos que não lhe faltam...os defeitos que tem herdou-os da tia (já sabia !). É um tanto orgulhosa e nem sempre muito sociável.


Olha filha, não fiques é nunca, como dizia Mário Henriques Leiria, na situação da nêspera ( à semelhança da tua tia ) “sentada , calada... à espera de ver o que acontecia...Um dia chegou uma velha e disse: - Olha uma Nêspera! E, zás , comeu-a. É o que acontece às Nêsperas(...)” e também às pessoas (só a algumas è claro... mas tu de nêspera só tens a pele sedosa ! ). Porém , se é permitido a uma “cota” dar um conselho digo-te que tenhas cuidado pois é extremamente fácil transformarmo-nos em nêspera – inertes e passivos !


Ergue o teu lindo rosto e sorri... sorri sempre, sorri muito...que” esperar não é saber, quem espera perde a hora, “ não vive o “acontecer”.


Que te aconteçam sempre coisas lindas, e...


...qualquer que seja o “acontecer”, podes sempre contar comigo!


Mil Beijocas, querida.






3 de Maio de 2005


Tia Ru-Ru

PS:para ue não restem duvidfas aos mais distraídos, a INÊS é a da direita...óbvio!!!