A DOR

A DOR
A dor que dói...

VIDA

Tejo que levas as águas, correndo de par em par, lava a cidade de mágoas , leva as mágoas para o mar...

terça-feira, 26 de março de 2013

Sammie - 17.02. 2002 / 24.03. 2013

Viveu em gande mansão
cresceu
brincou
foi feliz...
Seguiu-me
para onde fui
e sem nunca reclamar
se adaptou ao lugar
pequeno
mas prazeroso
mesanino
saolheiro...
Em cima a sala
de estar
o lugar de receber
os carinhos
os afectos
o lugar donde se via
quem partia
e quem chegava
o lugar onde batia
solto o seu coração
o lugar onde uivava
saudando os que mais amava.
Mais abaixo
descendo escadas
um quartinho
secreto
e um jardinzinho
aberto
por onde o sol penetrava
uma varanda
virada
ao largo 
e à criançada
aos vizinhos
aos amigos
a quem nunca rejeitava
o mais simples cumprimento
Era linda
era meiga
era fiel companheira
inspirava cnfiança
tinha olhos de cristal
onde se lia o sentir
a alegria
a tristeza
a saudade
e o amor
e outras vezes a dor.
Gostava de passear
correr
correr
e saltar...
por fim já nem quase andar...
Partiu para não voltar
mas seu lugar
vai ficar
tal e qual como o deixou
agora vazio e triste
tal como o meu coração
que à saudade
mal resiste
e que bate triste
triste
por ti,
minha querida Sammie,
amiga do coração!

RB.  25.03.2013









terça-feira, 19 de março de 2013

Pai

Todo tivemos um pai
e ter pai...

é ter amor
ter carinho
protecção
porto de abrigo
embarcação
candeia na escuridão
caminho
orientação
partilha
dedicação
muita sombra
aconchego
calor
e muita paixão.

Um pai
tem sempre uma mão
que nos afaga
e agarra
nos ampara
e  orienta
nos passeia
p'lo jardim
nos dá ternura sem fim...
e mesmo  quando não está
ao nosso lado presente
que conforto
é o que se sente
ao olhar o firmamento
e sem gritar um lamento
em pleno recolhimento
vê-lo
ouvi-lo
falar-lhe
contar-lhe
os nossos segredos
e dizer-lhe em surdina
que a vida nos ensina
a amar eternamente
o presente
e o ausente
pois pai
é p'ra todo o sempre
um pai
se guarda no peito
no peito e no coração
e enquanto este bater
pai, não morrerá nunca...
não morrerás nunca,
não!


RB- 20 Março 2013


segunda-feira, 18 de março de 2013

A vida

A vida é uma aflição
correria
desatino
desencontros
desacertos
desculpas
desilusão
lembranças
e sofrimento
sombras chinesas em vão...


A vida é uma aventura
sem partida
sem chegada
sem vereda
sem estrada
sem estação
só inverno
jamais verão...
sem veias
sem coração
muito aquém da formosura...

A vida é túnel
é breu
é silêncio
é solidão
é tortura
é ilusão
é quimera
é desventura
é veloz "valsa" de Brel...

A vida é como uma dor
tortura
mata
destrói
pega
arremessa
desfaz
corrompe
corrói
e dói...
só é bela
quando jaz
tombada como uma flor!



RB- 19.03.2013





sexta-feira, 15 de março de 2013

A saudade..

Saudade
é frio
é inverno
é ninho
onde falta o passarinho!
 
Permaneceu tudo igual:
pauzinhos entrelaçados,
pequeninas penas soltas
o cheiro
o aconcheço
o espaço
o lugar cavado...
só o calor
desse amor
arrefeceu
tanto
tanto
como o canto
e o trinado
a compasso entoado
de manhã
e ao sol pôr...
 
Ai!
silêncio  o penetrou
e como um grito ecoou
e o  ninho transformou.
Parece agora jazigo..
Passarinho não morreu,
esse não!
Morreu, sim
e para sempre
o calor,
e o amor
o ritmo do criador
o esvoaçar ensaiado
a asa do tentilhão
o amigo
o irmão !
 
 
Mas não!
Voltará a primavera 
as flores,
os campos verdes,
o sol quente
e o calor..
voltarão 
os passarinhos
cucos
melros,
andorinhas,
e outras aves
que tais...
e farão
seus novos ninhos
com muito amor
e pauzinhos
penas
e pedacinhos...
 
Ai... 
mas aquele pobre ninho
não mais terá tanto amor
e se o tiver, será
bem por certo
mui diferente
do que outrora
lhe deu forma
e calor...
Será outro
será bom
será quente
e terá "gente"
mas jamais
por mais que viva
terá como seus convivas
os primeiros
os verdadeiros
os reais
progenitores!
 
Porque a saudade
é o ninho
onde falta
e faltará
aquele que ali nasceu
se aqueceu
e cresceu
voou
e não mais voltou
o primeiro
inquilino...
o amado
o desejado
o amigo
passarinho!
 
 


RB- 16.03.2013








sábado, 2 de março de 2013

Março...aço

Hoje Abril
voltou em março
às ruas da nossa terra.
Inundou-as
deu-lhes voz
deu-lhes cor
deu-lhes força
e amor
deu-lhes nós...
muitos, muitos
muitos, muitos
muitos juntos
todos nós ...
alguns jovens de Abril
agora já bem maduros
outros frutos de Abril
como jamais fora visto
bem firmes
e bem seguros
do proposito
do querer
do direito e do dever
e da verdade também
pois que como é sabido
vontade
não escolhe idade...
Era o povo
desse Abril abençoado
e agora renegado
reclamando a viva voz
terra da fraternidade
liberdade e igualdade
justiça e equidade
Eram muitos,
muitos mil
para reabilitar Abril.
Eram vozes e pregões
eram canções
entoadas
ao mundo
de mãos fechadas
corações e corações
sangrando
de tal cansaço
de tanta dor
e amor
p'lo país desrespeitado
por abutres consumido
e por vampiros sangrado.
Vermelho
como Abril
o sangue desta nação
correu p'las veias
das gentes
e sem jorrar, lá jurou
com força de aço
pela cantiga temperado
ao seu Afonso,
o poeta,
símbolo da revolução
que se não for desta vez
será noutra ocasião
breve, breve meu irmão
pois do que Abril
conquistou
jamais abriremos mão!
...e chegou mesmo!


RB- 2 de Março 2013