
O silêncio ecoa pela casa
e um zumbido enche meus ouvidos
para além do tic tac do relógio
nada mais terá permanecido.
Ficou a solidão que ninguém quer
por parecer que estar só é estar perdido.
Ao invés do despertar calmo matinal
e dos nocturnas cumplicidades imperfeitas
sobra gente, sobra mundo, sobra alma
que vão, qual ampulheta, enchendo o peito!
E se estar só é ter por perto
a memória dos dias que passaram
a lembrança dos sons que povoaram
entre quatro paredes o meu mundo,
jamais os cheiros e as cores irão chorar
e pelas alvas paredes gotejar
o frio que as arrefece
mal chega o estio.
E este frio que me habita a casa ,
que transborda da fonte dos sentidos
não é senão o pensamento imenso
daqueles que recordo e reinvento.
Virá em breve o tempo do encontro
do desejo, do abraço fraternal,
e quem , aqui e agora, só consigo
e tendo por saudade companhia
abrirá então mão de todos os afectos
e cantará bem alto a alegria
de finalmente ter chegado o novo dia.
Acabaram desencontros, despedidas
acabou-se o silêncio tão temido
pois domingueiramente sua casa
está hoje e de novo bem vestida !
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