A DOR

A DOR
A dor que dói...

VIDA

Tejo que levas as águas, correndo de par em par, lava a cidade de mágoas , leva as mágoas para o mar...

sábado, 11 de agosto de 2012

O ninho


Sempre quis construir um ninho
onde eu e meus filhotes
vivessemos afastados da má sorte.
Escolhi uma chaminé
cheguei a bater o pé,
mas quando chegou o Natal
percebi que ali estava mal.
Não desisti...
Escolhi uma alta e velha faia
mas sempre que soprava o vento
e a chuva caía violenta
o desânimo...
o desconforto era geral
e mudámos para outro local.
Não desisti...
Escolhi torre cimeira em castelo
e achava-o muito belo
só que sem ser avisada
alguém alegou
que aquele ninho o património estragou
e tudo ao início voltou.
Não desisti...
Voei bem alto
e encontrei sem sobressalto
um poste bem firme
e nele reconstruí meu ninho
com meus filhotinhos...
mas pouco tempo durou
pois o poste tombou
quando a auto estrada ali passou!
Não desisti...
Em casa senhorial
bem junto ao beiral
teci meu ninho de pauzinhos
como se fosse de linho.
De lá se via o céu
se via o mar
e nos campos papoilas bailar
e as gentes , muitas gentes
e o trabalhar...
Pensei sossegar.
Que erro cometi !
Bem cedo conclui que,
qual trepadeira,
uma erva daninha
por mais rasteirinha
encontra maneira
de nos estragar a vidinha !
Não desisti.
Fiquei.
E ensinei
a quem me quis ouvir
que só nos consegue derrubar
quem a força da alma e do coração
subestima sem razão
e não conhece como eu
a força da verdadeira paixão !
Erva daninha trepou, trepou
e ao ninho chegou...
mas a minha , nossa força
breve, breve a exterminou.
E então, para concluir a demanda,
basta que vos assegure
que meu ninho sobreviveu
e filhotinho cresceu...cresceu!

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