A DOR

A DOR
A dor que dói...

VIDA

Tejo que levas as águas, correndo de par em par, lava a cidade de mágoas , leva as mágoas para o mar...

segunda-feira, 18 de março de 2013

A vida

A vida é uma aflição
correria
desatino
desencontros
desacertos
desculpas
desilusão
lembranças
e sofrimento
sombras chinesas em vão...


A vida é uma aventura
sem partida
sem chegada
sem vereda
sem estrada
sem estação
só inverno
jamais verão...
sem veias
sem coração
muito aquém da formosura...

A vida é túnel
é breu
é silêncio
é solidão
é tortura
é ilusão
é quimera
é desventura
é veloz "valsa" de Brel...

A vida é como uma dor
tortura
mata
destrói
pega
arremessa
desfaz
corrompe
corrói
e dói...
só é bela
quando jaz
tombada como uma flor!



RB- 19.03.2013





sexta-feira, 15 de março de 2013

A saudade..

Saudade
é frio
é inverno
é ninho
onde falta o passarinho!
 
Permaneceu tudo igual:
pauzinhos entrelaçados,
pequeninas penas soltas
o cheiro
o aconcheço
o espaço
o lugar cavado...
só o calor
desse amor
arrefeceu
tanto
tanto
como o canto
e o trinado
a compasso entoado
de manhã
e ao sol pôr...
 
Ai!
silêncio  o penetrou
e como um grito ecoou
e o  ninho transformou.
Parece agora jazigo..
Passarinho não morreu,
esse não!
Morreu, sim
e para sempre
o calor,
e o amor
o ritmo do criador
o esvoaçar ensaiado
a asa do tentilhão
o amigo
o irmão !
 
 
Mas não!
Voltará a primavera 
as flores,
os campos verdes,
o sol quente
e o calor..
voltarão 
os passarinhos
cucos
melros,
andorinhas,
e outras aves
que tais...
e farão
seus novos ninhos
com muito amor
e pauzinhos
penas
e pedacinhos...
 
Ai... 
mas aquele pobre ninho
não mais terá tanto amor
e se o tiver, será
bem por certo
mui diferente
do que outrora
lhe deu forma
e calor...
Será outro
será bom
será quente
e terá "gente"
mas jamais
por mais que viva
terá como seus convivas
os primeiros
os verdadeiros
os reais
progenitores!
 
Porque a saudade
é o ninho
onde falta
e faltará
aquele que ali nasceu
se aqueceu
e cresceu
voou
e não mais voltou
o primeiro
inquilino...
o amado
o desejado
o amigo
passarinho!
 
 


RB- 16.03.2013








sábado, 2 de março de 2013

Março...aço

Hoje Abril
voltou em março
às ruas da nossa terra.
Inundou-as
deu-lhes voz
deu-lhes cor
deu-lhes força
e amor
deu-lhes nós...
muitos, muitos
muitos, muitos
muitos juntos
todos nós ...
alguns jovens de Abril
agora já bem maduros
outros frutos de Abril
como jamais fora visto
bem firmes
e bem seguros
do proposito
do querer
do direito e do dever
e da verdade também
pois que como é sabido
vontade
não escolhe idade...
Era o povo
desse Abril abençoado
e agora renegado
reclamando a viva voz
terra da fraternidade
liberdade e igualdade
justiça e equidade
Eram muitos,
muitos mil
para reabilitar Abril.
Eram vozes e pregões
eram canções
entoadas
ao mundo
de mãos fechadas
corações e corações
sangrando
de tal cansaço
de tanta dor
e amor
p'lo país desrespeitado
por abutres consumido
e por vampiros sangrado.
Vermelho
como Abril
o sangue desta nação
correu p'las veias
das gentes
e sem jorrar, lá jurou
com força de aço
pela cantiga temperado
ao seu Afonso,
o poeta,
símbolo da revolução
que se não for desta vez
será noutra ocasião
breve, breve meu irmão
pois do que Abril
conquistou
jamais abriremos mão!
...e chegou mesmo!


RB- 2 de Março 2013

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Perene e permanente...

Ah, quem diria...
na terra há árvores
e as árvores em tudo são diferentes:
no tamanho,
na cor,
no cheiro,
na folhagem,
no quebrar,
no dobrar,
no viver, sobreviver
e no sentir.
Umas guardam a folhagem
que é nossa e  sua
e ficam
mais frágeis,
sendo contudo perenes,
persistentes,
resistentes.
Outras despem-se
e abandonam no solo
as folhas que suas foram
ficando mais resistentes
ao vento
e ás tempestades..
sendo porém caducas,
mutáveis,
negociáveis.
Assim são os homens...
em muito iguais
em tudo diferentes
feliz ou infelizmente
E se na terra
este estranha forma de ser
é paradoxalmente uma constante,
olhai o firmamento
de mil e mil estrelas povoado.
Há estrelas grandes
resistentes
qiue brilham eternamente
e sem sair do lugar
piscam ao luar
e encantam o olhar.
Outras porém
arrastando pérolas ou diamantes
em momentos
de fugaz encantamento
movimentam-se e caiem
morrem e
desaparecem
são as estrelas cadentes
desistentes...
Não sei se sou àrvore
Não sei se sou estrela
só sei que sou
e serei sempre
perene e permanente
enquanto aqui neste lugar
quer seja terra,
ou firmamento
estiver por algum tempo
sempre...
e permanentemente
presente!

RB - 28.02.2012



quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Não sei porquê...

Não sei porquê
nem porque não
eu estou aqui
tu não...
Não sei porquê
nem porque não
só sei que
eu sou feliz
e vivo,
mas tu não !

Não sei porquê
nem porque vão
as estrelas
bailar no firmamento
as ondas
dançar no areal
os barcos
sulcar os mares d'além
as mulheres
chorar e caminhar
pelo mundo
sem margem
nem limite...

Não sei porquê
nem porque são
os homens tão cruéis
e desavindos
não sei porque caminham
ao luar
aqueles que já cegos
por tanto desejar
o infinito firmamento
só deixaram
uma estrela pequenina
no caminho sinuoso
alumiando quem o trilha
 - o homem novo!

Só sei que sim
e porque então
de tão cruéis
e por tanto cobiçar
todos acabaram
tombando
qual jangada
em alto mar.
E morreram
sem nada recordar
que não fosse
o seu vil e
odioso olhar
que ao mundo
o fogo
quis lançar
para queimar
matar ...
e a sede
de vingança saciar.

Esquecendo...
não sei porquê
nem porque não
que antes da rosa
linda e perfumada
apareceu
não sei porquê
nem porque não
o singelo
e belo
o perfumado botão !









domingo, 30 de dezembro de 2012

È hoje o dia

Julho... Dezembro
treze ... trinta e um
contagem infernal
prazer mortal paixão
fatal...
jamais nos fará mal.

É o hoje o dia...

dia de percorrer teu corpo
de pôr fim à solidão
de acalmar meu coração
de ser só eu em tua mão
de nada dizer e só olhar
o que ficou por fazer e por
faltar contar
é que um dia como este
um dia assim normal
jamais nos fará mal.

É hoje o dia...
 
é  hoje o dia de matar a sede no teu corpo
de saciar a fome em tua boca
de percorrer caminhos sinuosos
de acender a chama de quem ama
de colocar o sol no travesseiro
e chamar-te simplesmente companheiro
é que um dia como este
um dia assim normal
jamais nos fará mal.

É hoje o dia...

é hoje o dia de voltar ao que outrora fora 
de soltar as amarras e o medo
de enlouquecer e me perder
de libertar a vontade livremente
de lançar um olhar ao firmamento
e a cada estrela confessar
que hoje é o dia
e que um dia como este
um dia assim normal
jamais nos fará mal.

È  hoje o dia...

é hoje o dia , meu amor
de subir ao céu... qual véu azul 
e derreter as nuvens de algodão 
em prazeres divinos deleitada
despida de todo o preconceito
abraçar bem firme o teu peito
qual barco ao porto ancorado
meu amor,
meu amigo,
meu amado...
é que um dia como este
um dia assim normal
só nos fará bem
jamais
jamais nos fará mal !

É hoje o dia...

é hoje
é dia
é este
é bem
é mal..
normal !



RB -31.12.2012





sábado, 15 de dezembro de 2012

Lu(g)ar

Neste lugar de luar
como onda do mar
me venho espraiar
procurando
o marinheiro
a pégada na areia
o sal no corpo
o amor morto
a solidão
o coração
de tanta dor
jamais inteiro.
Qual furacão
que não amaina
desespero
e não encontro
nem passageiro
nem bote
encalhado no molhe
e que me tolhe
naufragado
destroçado
aquele meu irmão
para quem a sorte
ou morte
foi fugaz braseiro
de paixão.

RB. 15.12.2012


a

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

As asas do amor

Recordar com paixão
os dedos e as mãos
o cheiro a jasmim do teu abraço
o calor real do teu amor
a força etérea
de voar e poisar
entre lençóis brancos
perfume de alfazema
e poemas de vida
e  paz e canto
e mensagem que traz a tua voz
e janela que abre teu olhar
e porta que te sente entrar
aqui e ali acariciar
o corpo
o ventre que deu flor.
Amor
recordar e viver
num só momento
o nascer do dia eternamente
e o cair da noite
lancinante
do amante
que jamais perdeu alento
e por entre a brisa
que não vento
soprou e desejou
que jamais terminasse
o firmamento
pois com asas
asas que lhe dei eu
irá voar e sempre
me encontrar 
bem alto
onde a lua encanta
e o morcego ensaia seu piar
esperando qual ave
o alimento.

Soubera...

Soubera quem seria
e não nascia.
Soubera o que perdia
e nem sofria.
soubera a chegada
e nem partia
soubera como (h)era
e treparia.
soubera ...
soubera ...
quão longa a espera
e, em vez de ser,
existiria !


Talvez...

Talvez um dia eu veja claro
talvez um dia haja razão...
talvez...quem sabe?
talvez...
e porque não?
então...
terei a  forte e farta força
para pegar ,
girar
soltar
o mundo,
esmagar a farsa...
em minhas mãos!

Ninho

Quem perde o ninho
não perde o norte...
perde o cam/rinho,
adia a s/morte ?

Acordar

Só...
acordei só com o sol nas mãos
mas, de tão longa a viagem,  
quando cheguei...
anoiteceu !

A mor/mar...


E hoje
quando te vi
o meu céu se iluminou
o silêncio se quebrou
quando a gaivota voou
e na minha mão poisou
e se aninhou...
Uma estrela que brilhava
sumiu no meu firmamento
mas a lua transformou
aquele fugaz momento
em brilho 
e deslumbramento...
Brilhou a terra
brilhou o mar
brilhou o sol no olhar
e as estrelas do mar
brilhou o sal qual marfim
e no  céu que não tem fim
a lua se espelhou
num manto doce de azul
e onda a onda
de espuma e sal
se encapelou o mar
no meu olhar
no meu sentir
o teu bramar
o teu falar...
E se  alguém
quiser quebrar
este louco marejar
força terá de inventar
coragem
e muito amor
pois de Zeus temor terá
quem sempre viveu no mar
e respirou o luar
naquele longínquo lugar
onde não é permitido
arrastar,
prender,
culpar,
acusar,
manipular
o cabo de além-mar.
Saberá  na altura certa
com o que pode contar
só não sabe, acredito,
que eu estarei por perto
ali bem perto ...
a olhar ...
a  o l h a r !



RB - 13.12.2012

Os nós de nós...



Se das mãos fizermos laços
e nos laços dermos nós
não conjugarei futuro...
conjugá-lo-emos nós !

RB - 13.12.2012

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Amor a(o)lado ....

Com paixão
recordar
os dedos e as mãos
o cheiro a jasmim
do teu abraço
o calor 
mineral do teu amor
a força etérea
de voar e poisar
entre lençóis brancos
perfume de alfazema
e poemas de vida
e  paz e canto
e mensagem que traz a tua voz
e janela que abre teu olhar
e porta que te sente entrar
aqui e ali acariciar
o corpo 
o ventre que deu flor.
Amar amor e
recordar 
viver
num só momento
o nascer do dia
eternamente
e o cair da noite
lancinante
do amante
que jamais perdeu alento
e por entre a brisa
que não vento
soprou e desejou
que jamais terminasse
o firmamento
para ser estrela
e  ao ver o mar
nele mergulhar
e naufragar.
E com asas 
as asas que lhe dei
irá voar e sempre
me encontrar 
bem alto
onde a lua encanta
e o morcego ensaia seu piar
esperando qual ave
o alimento
o néctar da vida
ambrósia da paixão
entre mim
entre ti
as minhas
nossas mãos !
 RB- 12.12.2012