A DOR

A DOR
A dor que dói...

VIDA

Tejo que levas as águas, correndo de par em par, lava a cidade de mágoas , leva as mágoas para o mar...

sábado, 28 de fevereiro de 2015

Esqueci...ou não me lembro?

Esqueci…ou não me lembro ?

Não sou quem fui outrora
Mas sou eu!

Mas sou eu!
Sou aquela que viveu e lutou
Que sofreu e chorou
Que riu e gargalhou
 E que amou, amou, amou…
Sou agora uma parte de mim,
Mas sou eu mesma, embora não me lembre!
Esquecer? Jamais!
Não esqueci seja o que for,
Seja quem for…
A tudo e todos guardei no meu cofre a sete chaves
No meu cofre de código secreto.
Má sorte minha, das chaves o rasto perdi
Do código a ordem original troquei e me desorientei.
Porém, nada
 Nem ninguém esqueci!
Olhem! Olhem bem fundo nos meus olhos e
 Aí todos vós se encontrareis, meus
Amigos, familiares, pais, irmãos, marido, filhas, netas…
As minhas netas... Ai, as minhas netas!
Lindas como eu fui, diz quem se lembra.
Determinadas
Lutadoras
Resilientes
Sensíveis
Altruístas
Leais
Amantes do bem,
Da verdade
E da justiça
Daquele e do outro
De toda a gente!
Eu também assim fui, diz quem se lembra.
Hoje, não verbalizo o que me vai na alma, mas sinto-0
Pareço desatenta, mas ouço-vos
Pensam que vos não reconheço, mas
 Sei bem quem sois!
E se grande não sinto a vossa falta, como soía
Será, quiçá, porque estou sempre acompanhada!?
A memória guardou todos e cada um dentro de mim
E vós bem estais sempre comigo.
Sei que o mereço, ou será presunção!?
Não! Sei que sim (perdoem a falta de humildade nesta ocasião)…
E tão bem sei que jamais esquecerei
Quem muito me amou
Quem muito amei!       

          28.02.2015, Maria Barros (homenagem a todas as mulheres que como ELA vivem, viveram e viverão.)

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Desilusão

Desilusão  é
ter na mão
um coração
partido
perdido
fechado
parado
desencontrado
não ritmado
Desilusão é
ter no coração
a mão
fria
vazia
cerrada
enrugada
dormente
carente.
Desilusão é
ilusão
desiludida.
ilusão
perdida
vivida
sentida e
sofrida!








terça-feira, 2 de abril de 2013

O amor....


O amor não se pressente
sem esperar
forte se sente
invade a alma da gente
e teima...
teima em ficar
E se nos traz alegria
aquece nossa mão fria
com calor acaricia
o rosto que não sorria
e nossa sede sacia
para nos acalentar, 
que seja para durar!
Mas se nos traz desconforto
antes procure outro porto
lá bem nos confins do mar
onde se possa abrigar...
Afinal o coração
não existe para sofrer
é este que 
bem ou mal
bate mesmo no final
até quase ensandecer
jamais sem nunca 
por nunca
compasso 
ou ritmo 
perder...







terça-feira, 26 de março de 2013

Sammie - 17.02. 2002 / 24.03. 2013

Viveu em gande mansão
cresceu
brincou
foi feliz...
Seguiu-me
para onde fui
e sem nunca reclamar
se adaptou ao lugar
pequeno
mas prazeroso
mesanino
saolheiro...
Em cima a sala
de estar
o lugar de receber
os carinhos
os afectos
o lugar donde se via
quem partia
e quem chegava
o lugar onde batia
solto o seu coração
o lugar onde uivava
saudando os que mais amava.
Mais abaixo
descendo escadas
um quartinho
secreto
e um jardinzinho
aberto
por onde o sol penetrava
uma varanda
virada
ao largo 
e à criançada
aos vizinhos
aos amigos
a quem nunca rejeitava
o mais simples cumprimento
Era linda
era meiga
era fiel companheira
inspirava cnfiança
tinha olhos de cristal
onde se lia o sentir
a alegria
a tristeza
a saudade
e o amor
e outras vezes a dor.
Gostava de passear
correr
correr
e saltar...
por fim já nem quase andar...
Partiu para não voltar
mas seu lugar
vai ficar
tal e qual como o deixou
agora vazio e triste
tal como o meu coração
que à saudade
mal resiste
e que bate triste
triste
por ti,
minha querida Sammie,
amiga do coração!

RB.  25.03.2013









terça-feira, 19 de março de 2013

Pai

Todo tivemos um pai
e ter pai...

é ter amor
ter carinho
protecção
porto de abrigo
embarcação
candeia na escuridão
caminho
orientação
partilha
dedicação
muita sombra
aconchego
calor
e muita paixão.

Um pai
tem sempre uma mão
que nos afaga
e agarra
nos ampara
e  orienta
nos passeia
p'lo jardim
nos dá ternura sem fim...
e mesmo  quando não está
ao nosso lado presente
que conforto
é o que se sente
ao olhar o firmamento
e sem gritar um lamento
em pleno recolhimento
vê-lo
ouvi-lo
falar-lhe
contar-lhe
os nossos segredos
e dizer-lhe em surdina
que a vida nos ensina
a amar eternamente
o presente
e o ausente
pois pai
é p'ra todo o sempre
um pai
se guarda no peito
no peito e no coração
e enquanto este bater
pai, não morrerá nunca...
não morrerás nunca,
não!


RB- 20 Março 2013


segunda-feira, 18 de março de 2013

A vida

A vida é uma aflição
correria
desatino
desencontros
desacertos
desculpas
desilusão
lembranças
e sofrimento
sombras chinesas em vão...


A vida é uma aventura
sem partida
sem chegada
sem vereda
sem estrada
sem estação
só inverno
jamais verão...
sem veias
sem coração
muito aquém da formosura...

A vida é túnel
é breu
é silêncio
é solidão
é tortura
é ilusão
é quimera
é desventura
é veloz "valsa" de Brel...

A vida é como uma dor
tortura
mata
destrói
pega
arremessa
desfaz
corrompe
corrói
e dói...
só é bela
quando jaz
tombada como uma flor!



RB- 19.03.2013





sexta-feira, 15 de março de 2013

A saudade..

Saudade
é frio
é inverno
é ninho
onde falta o passarinho!
 
Permaneceu tudo igual:
pauzinhos entrelaçados,
pequeninas penas soltas
o cheiro
o aconcheço
o espaço
o lugar cavado...
só o calor
desse amor
arrefeceu
tanto
tanto
como o canto
e o trinado
a compasso entoado
de manhã
e ao sol pôr...
 
Ai!
silêncio  o penetrou
e como um grito ecoou
e o  ninho transformou.
Parece agora jazigo..
Passarinho não morreu,
esse não!
Morreu, sim
e para sempre
o calor,
e o amor
o ritmo do criador
o esvoaçar ensaiado
a asa do tentilhão
o amigo
o irmão !
 
 
Mas não!
Voltará a primavera 
as flores,
os campos verdes,
o sol quente
e o calor..
voltarão 
os passarinhos
cucos
melros,
andorinhas,
e outras aves
que tais...
e farão
seus novos ninhos
com muito amor
e pauzinhos
penas
e pedacinhos...
 
Ai... 
mas aquele pobre ninho
não mais terá tanto amor
e se o tiver, será
bem por certo
mui diferente
do que outrora
lhe deu forma
e calor...
Será outro
será bom
será quente
e terá "gente"
mas jamais
por mais que viva
terá como seus convivas
os primeiros
os verdadeiros
os reais
progenitores!
 
Porque a saudade
é o ninho
onde falta
e faltará
aquele que ali nasceu
se aqueceu
e cresceu
voou
e não mais voltou
o primeiro
inquilino...
o amado
o desejado
o amigo
passarinho!
 
 


RB- 16.03.2013








sábado, 2 de março de 2013

Março...aço

Hoje Abril
voltou em março
às ruas da nossa terra.
Inundou-as
deu-lhes voz
deu-lhes cor
deu-lhes força
e amor
deu-lhes nós...
muitos, muitos
muitos, muitos
muitos juntos
todos nós ...
alguns jovens de Abril
agora já bem maduros
outros frutos de Abril
como jamais fora visto
bem firmes
e bem seguros
do proposito
do querer
do direito e do dever
e da verdade também
pois que como é sabido
vontade
não escolhe idade...
Era o povo
desse Abril abençoado
e agora renegado
reclamando a viva voz
terra da fraternidade
liberdade e igualdade
justiça e equidade
Eram muitos,
muitos mil
para reabilitar Abril.
Eram vozes e pregões
eram canções
entoadas
ao mundo
de mãos fechadas
corações e corações
sangrando
de tal cansaço
de tanta dor
e amor
p'lo país desrespeitado
por abutres consumido
e por vampiros sangrado.
Vermelho
como Abril
o sangue desta nação
correu p'las veias
das gentes
e sem jorrar, lá jurou
com força de aço
pela cantiga temperado
ao seu Afonso,
o poeta,
símbolo da revolução
que se não for desta vez
será noutra ocasião
breve, breve meu irmão
pois do que Abril
conquistou
jamais abriremos mão!
...e chegou mesmo!


RB- 2 de Março 2013

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Perene e permanente...

Ah, quem diria...
na terra há árvores
e as árvores em tudo são diferentes:
no tamanho,
na cor,
no cheiro,
na folhagem,
no quebrar,
no dobrar,
no viver, sobreviver
e no sentir.
Umas guardam a folhagem
que é nossa e  sua
e ficam
mais frágeis,
sendo contudo perenes,
persistentes,
resistentes.
Outras despem-se
e abandonam no solo
as folhas que suas foram
ficando mais resistentes
ao vento
e ás tempestades..
sendo porém caducas,
mutáveis,
negociáveis.
Assim são os homens...
em muito iguais
em tudo diferentes
feliz ou infelizmente
E se na terra
este estranha forma de ser
é paradoxalmente uma constante,
olhai o firmamento
de mil e mil estrelas povoado.
Há estrelas grandes
resistentes
qiue brilham eternamente
e sem sair do lugar
piscam ao luar
e encantam o olhar.
Outras porém
arrastando pérolas ou diamantes
em momentos
de fugaz encantamento
movimentam-se e caiem
morrem e
desaparecem
são as estrelas cadentes
desistentes...
Não sei se sou àrvore
Não sei se sou estrela
só sei que sou
e serei sempre
perene e permanente
enquanto aqui neste lugar
quer seja terra,
ou firmamento
estiver por algum tempo
sempre...
e permanentemente
presente!

RB - 28.02.2012



quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Não sei porquê...

Não sei porquê
nem porque não
eu estou aqui
tu não...
Não sei porquê
nem porque não
só sei que
eu sou feliz
e vivo,
mas tu não !

Não sei porquê
nem porque vão
as estrelas
bailar no firmamento
as ondas
dançar no areal
os barcos
sulcar os mares d'além
as mulheres
chorar e caminhar
pelo mundo
sem margem
nem limite...

Não sei porquê
nem porque são
os homens tão cruéis
e desavindos
não sei porque caminham
ao luar
aqueles que já cegos
por tanto desejar
o infinito firmamento
só deixaram
uma estrela pequenina
no caminho sinuoso
alumiando quem o trilha
 - o homem novo!

Só sei que sim
e porque então
de tão cruéis
e por tanto cobiçar
todos acabaram
tombando
qual jangada
em alto mar.
E morreram
sem nada recordar
que não fosse
o seu vil e
odioso olhar
que ao mundo
o fogo
quis lançar
para queimar
matar ...
e a sede
de vingança saciar.

Esquecendo...
não sei porquê
nem porque não
que antes da rosa
linda e perfumada
apareceu
não sei porquê
nem porque não
o singelo
e belo
o perfumado botão !









domingo, 30 de dezembro de 2012

È hoje o dia

Julho... Dezembro
treze ... trinta e um
contagem infernal
prazer mortal paixão
fatal...
jamais nos fará mal.

É o hoje o dia...

dia de percorrer teu corpo
de pôr fim à solidão
de acalmar meu coração
de ser só eu em tua mão
de nada dizer e só olhar
o que ficou por fazer e por
faltar contar
é que um dia como este
um dia assim normal
jamais nos fará mal.

É hoje o dia...
 
é  hoje o dia de matar a sede no teu corpo
de saciar a fome em tua boca
de percorrer caminhos sinuosos
de acender a chama de quem ama
de colocar o sol no travesseiro
e chamar-te simplesmente companheiro
é que um dia como este
um dia assim normal
jamais nos fará mal.

É hoje o dia...

é hoje o dia de voltar ao que outrora fora 
de soltar as amarras e o medo
de enlouquecer e me perder
de libertar a vontade livremente
de lançar um olhar ao firmamento
e a cada estrela confessar
que hoje é o dia
e que um dia como este
um dia assim normal
jamais nos fará mal.

È  hoje o dia...

é hoje o dia , meu amor
de subir ao céu... qual véu azul 
e derreter as nuvens de algodão 
em prazeres divinos deleitada
despida de todo o preconceito
abraçar bem firme o teu peito
qual barco ao porto ancorado
meu amor,
meu amigo,
meu amado...
é que um dia como este
um dia assim normal
só nos fará bem
jamais
jamais nos fará mal !

É hoje o dia...

é hoje
é dia
é este
é bem
é mal..
normal !



RB -31.12.2012





sábado, 15 de dezembro de 2012

Lu(g)ar

Neste lugar de luar
como onda do mar
me venho espraiar
procurando
o marinheiro
a pégada na areia
o sal no corpo
o amor morto
a solidão
o coração
de tanta dor
jamais inteiro.
Qual furacão
que não amaina
desespero
e não encontro
nem passageiro
nem bote
encalhado no molhe
e que me tolhe
naufragado
destroçado
aquele meu irmão
para quem a sorte
ou morte
foi fugaz braseiro
de paixão.

RB. 15.12.2012


a

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

As asas do amor

Recordar com paixão
os dedos e as mãos
o cheiro a jasmim do teu abraço
o calor real do teu amor
a força etérea
de voar e poisar
entre lençóis brancos
perfume de alfazema
e poemas de vida
e  paz e canto
e mensagem que traz a tua voz
e janela que abre teu olhar
e porta que te sente entrar
aqui e ali acariciar
o corpo
o ventre que deu flor.
Amor
recordar e viver
num só momento
o nascer do dia eternamente
e o cair da noite
lancinante
do amante
que jamais perdeu alento
e por entre a brisa
que não vento
soprou e desejou
que jamais terminasse
o firmamento
pois com asas
asas que lhe dei eu
irá voar e sempre
me encontrar 
bem alto
onde a lua encanta
e o morcego ensaia seu piar
esperando qual ave
o alimento.

Soubera...

Soubera quem seria
e não nascia.
Soubera o que perdia
e nem sofria.
soubera a chegada
e nem partia
soubera como (h)era
e treparia.
soubera ...
soubera ...
quão longa a espera
e, em vez de ser,
existiria !


Talvez...

Talvez um dia eu veja claro
talvez um dia haja razão...
talvez...quem sabe?
talvez...
e porque não?
então...
terei a  forte e farta força
para pegar ,
girar
soltar
o mundo,
esmagar a farsa...
em minhas mãos!